Ruptura reduz faturamento anual em até 8%
Especialista avalia que a falta de produtos impacta ainda mais pequenos e médios estabelecimentos
por César Ferro em
Quando o cliente deseja comprar um determinado produto, mas não há unidades disponíveis, os problemas são muito mais profundos do que uma simples frustração. A ruptura vem representando um obstáculo pesado e duradouro para as farmácias brasileiras.
Segundo estudo da Neogrid, a ruptura afeta até 10% do mix das grandes redes, gerando perdas anuais que equivalem a 8% do faturamento dessas companhias. O cenário pode ser ainda mais grave em operações de menor porte. “Nesses estabelecimentos, a falta de produtos pode atingir quase 50% dos SKUs trabalhados por uma loja”, afirma Maurício Rodrigues, product owner de supply na Procfit.
Onde acontece a ruptura?
Três tipos de ruptura são os mais frequentes:
- Ruptura de abastecimento: ocorre quando a indústria não calcula corretamente a demanda e fica sem produto para vender
- Ruptura de compra: nesse caso, o erro na previsão de demanda parte do varejista, que não adquiriu o item no volume ou no prazo necessários
- Ruptura em loja: o produto foi comprado, mas, por falha operacional, não foi disponibilizado no PDV
Gestão de compras é ponto mais crítico
A ruptura mais comum, e infelizmente mais grave, é a de compra. Rodrigues aponta que muitos gestores ainda realizam aquisições de produtos com base apenas em feeling, sem o suporte de dados. “Em vez de analisar informações de mercado e estruturar processos de previsão de demanda, optam por produtos que acreditam, empiricamente, ter maior saída”, ressalta.
Essa tomada de decisão gera um ciclo de problemas operacionais e financeiros. Segundo ele, o cliente que não encontra sua medicação dificilmente retorna e, no caso de pacientes crônicos, o impacto é ainda mais significativo. “Muitas vezes o consumidor prioriza a disponibilidade imediata em detrimento da fidelização e até mesmo da precificação”, explica.
Plataformas auxiliam em cenário de alta demanda
No contexto das pequenas e médias redes, em que o gestor ainda está fortemente presente na operação, o uso de plataformas de automação pode ser decisivo. Uma das opções é o Minha Melhor Compra(MMC), da Procfit.
Integrada ao ERP da varejista, a solução gerencia a demanda e automatiza o ciclo de pedidos. O sistema verifica a disponibilidade de produtos em diferentes fornecedores e gera automaticamente a compra com o parceiro mais vantajoso no momento. “Também fornece indicadores, como o ciclo de pedidos, alertando o comprador sobre os SKUs que necessitam de atenção especial”, declara.
O product owner recomenda que os gestores classifiquem adequadamente os produtos para obter visibilidade total das vendas. Outra orientação é utilizar a automação para acessar uma rede mais ampla de fornecedores e reduzir a dependência de representantes comerciais.
“Temos clientes de grande porte que utilizam a plataforma para processar mais de 100 mil pedidos por dia, otimizando margens e ofertas. Já os varejistas menores passam a contar com insights sobre o nível de atendimento de fornecedores, algo que planilhas manuais não conseguem oferecer com facilidade”, finaliza.