Lupin avalia venda da MedQuímica por cerca de R$ 300 milhões
Farmacêutica indiana está reavaliando sua estratégia em mercados internacionais
por César Ferro em e atualizado em
A farmacêutica indiana Lupin colocou à venda a MedQuímica – sua operação no Brasil -, segundo apuração do Valor Econômico. De acordo com fontes próximas às negociações, o objetivo é obter cerca de R$ 300 milhões pelo ativo.
O negócio foi analisado por ao menos dois laboratórios: uma companhia canadense e a Biolab. Embora uma eventual aquisição pela empresa brasileira fizesse sentido estratégico, a companhia não avançou nas tratativas.
A MedQuímica atua no segmento de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) e também no mercado hospitalar. A farmacêutica ainda trabalha com suplementos alimentares. Procuradas pelo Valor, Lupin e Biolab não comentaram.
Lupin estaria enfrentando dificuldades para vender a MedQuímica
Segundo uma fonte consultada pela publicação, a MedQuímica está à venda há algum tempo. A Lupin enfrenta dificuldades para comercializar o ativo, já que o preço estaria acima da percepção de valor do mercado.
Parte do grupo desde 2015, a subsidiária brasileira não vive um bom momento. De acordo com demonstrações financeiras auditadas pela KPMG, referentes ao ano fiscal encerrado em março de 2025, a farmacêutica registrou prejuízo operacional de R$ 59,6 milhões e prejuízo líquido de R$ 112,1 milhões. Globalmente, a Lupin projeta receitas de US$ 3,3 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões) no ano fiscal de 2026.
MedQuímica previa faturar até R$ 420 milhões
Em março, o Panorama Farmacêutico visitou com exclusividade a operação da MedQuímica em Juiz de Fora (MG). Na ocasião, o CEO Alexandre França projetou encerrar o ano fiscal com faturamento entre R$ 400 milhões e R$ 420 milhões, crescimento de cerca de 80% em relação ao período anterior.
A companhia também previa um pipeline robusto, com cerca de 35 lançamentos em cinco anos – média de sete por ano. Ainda em 2026, um novo produto na área cardiometabólica deve chegar ao mercado.
O laboratório ainda avaliava oportunidades em oftalmologia e apostava em frentes como SNC e oncologia, além de negociar três acordos de licenciamento para reforçar o portfólio.
Operação segue normalmente
Em posicionamento compartilhado com a redação do Panorama Farmacêutico, a MedQuímica e a Lupin afirmaram que não irão comentar “especulações de mercado”. Apesar disso, a companhia afirmou manter eu plano de negócios e os investimentos previstos. Confira na íntegra:
‘A MedQuímica e a Lupin não comentam especulações de mercado. Independentemente de eventuais avaliações estratégicas conduzidas pela controladora, as operações no Brasil seguem normalmente. A companhia mantém seu plano de negócios, os investimentos previstos e o compromisso com a qualidade, a inovação e o acesso da população a medicamentos‘.