Irmãos empreendedores superam falências e miram primeiro milhão
Dupla acumula quase 40 anos de trajetória no varejo farmacêutico
por César Ferro em
Os irmãos empreendedores José Roberto e Gilberto Marcos de Oliveira, de São Paulo (SP), comandam farmácias desde a década de 1990. Mas muito se engana quem imagina que a parceria – hoje frutífera – não teve inúmeros percalços.
No sétimo episódio da seção Minha História em 2026, contamos a trajetória de empresários que se recusaram a desistir apesar das dificuldades e encontraram no associativismo o apoio para sonhar mais alto.
Irmãos empreendedores apaixonaram-se cedo pelo setor
José Roberto conta que, desde pequeno, acompanhava seu pai, o motorista de ônibus José Vital de Oliveira, na ida ao trabalho. “Embora expressasse o desejo de seguir essa carreira, sempre fui aconselhado por ele a almejar um caminho melhor”, relembra.
Foi se espelhando nessa recomendação e em amigos do bairro que ele decidiu seguir para o varejo farmacêutico. Sua primeira oportunidade na área foi em 1986, em uma farmácia da região. O executivo começou como uma espécie de faz-tudo na loja, desde a função de empacotador até o auxílio à limpeza.
Seu foco sempre esteve no balcão, onde via os garotos mais velhos vestidos de avental e gravata. “Ficava de canto observando e sonhando em fazer o mesmo, notando o que eu poderia aperfeiçoar para me destacar no atendimento”, relata.
Em paralelo, o conselho de seu José Vital para Gilberto Marcos era um pouco diferente. Um ano mais novo que seu irmão, ele cresceu considerando-o um modelo a ser seguido. “O ensinamento de meu pai sempre foi ‘olhe seu irmão mais velho, tenha-o como exemplo’, e foi isso que eu fiz”, conta.
O primeiro emprego foi na rede de farmácias Drogão. Assim como aconteceu com José Roberto, as vestimentas chamaram a atenção de Gilberto Marcos. Quando chegou a promoção a balconista, a visita a uma loja de departamentos foi sua primeira decisão. “Assim que recebi a notícia, corri para comprar uma calça e um sapato branco. Me senti um doutor!”, recorda com orgulho.
Desejo de empreender veio logo, o sucesso não (H2)
O instinto empreendedor de José Roberto foi o primeiro a aflorar. Depois de seis anos como colaborador, ele resolveu empreender. Encontrou um espaço na região e, em parceria com um colega de trabalho, abriu uma farmácia. Mas em questão de meses, o sócio resolveu abandonar o negócio. O executivo não pensou duas vezes e resolveu convocar o irmão para acompanhá-lo nessa empreitada.
“Para comprar a parte desse colega, abri mão do meu carro e de uma televisão”, conta Gilberto. O problema é que o investimento não foi bem-sucedido. Em cerca de três meses a empresa quebrou. “O movimento naquele ponto era muito ruim. Lembro que um dia abrimos a loja e o primeiro e único cliente entrou às 17h. Ficamos com as portas abertas até 21h”, revela José Roberto.
Após a experiência frustrada, a dupla uniu-se em uma nova empreitada e investiu na operação de fretes com um terceiro irmão, que era caminhoneiro. O desfecho foi novamente a falência e, em 1993, eles voltaram a atuar no varejo farmacêutico, mas como colaboradores.
Experiências serviram como reciclagem
Nos 20 anos seguintes, José Roberto e Gilberto Marcos alternaram períodos atuando nas farmácias de terceiros e à frente de negócios próprios. A cada nova falência e consequente retorno ao mercado, eles aprendiam um pouco mais com os gestores que os lideravam.
“Esse período foi uma espécie de reciclagem. Observávamos como nossos patrões administravam o negócio e trazíamos lições positivas para nosso repertório”, relata José Roberto.
Maré virou em 2013
Esses aprendizados muniram os empreendedores da coragem de arriscar novamente e, por mais uma vez, abrir uma farmácia juntos. O ano era 2013. Tendo em mente que essa seria a última oportunidade de tornar o sonho realidade, a dupla adotou medidas mais radicais.
Eles eliminaram os custos ao máximo, chegando a revezar turnos entre si no balcão. “Nessa época, estabelecemos uma espécie de competição saudável. Quando o José Roberto vinha me render, eu falava quanto tinha no caixa. O objetivo dele era dobrar o que eu tinha vendido”, conta Gilberto Marcos.
A ‘disputa’ deu certo e o ponto que faturava R$ 20 mil chegou a R$ 150 mil em pouco tempo. Com muita disciplina, a dupla que comandava a Drogaria Vital foi prosperando e, quando chegou a pandemia, resolveu instituir uma nova estratégia de negócio.
“Começamos a olhar o mercado e a comprar pequenas farmácias que estavam em dificuldade financeira. Alavancávamos o negócio e vendíamos com lucro”, explica José Roberto. Nessa mesma época, os irmãos mudaram a loja para um espaço com 300 m², o que abriu novas possibilidades.
Franquia trouxe bom resultado, mas suporte foi falho
Com uma loja maior, eles decidiram aderir a uma bandeira conhecida do ramo de franquias, com o objetivo de ganhar market share na região. Novamente a escolha deu certo e atraiu clientela, mas o suporte deixou a desejar.
“Tínhamos um acesso muito escasso a ferramentas de gestão e o auxílio prestado pela marca não era suficiente. Em 2025, quando o contrato chegou ao fim, decidimos não renovar”, relata Gilberto Marcos.
Com uma farmácia bem estruturada, mas sem uma bandeira de peso para acompanhar, os irmãos procuraram no mercado uma nova alternativa e o associativismo da Farmarcas surgiu como opção.
Farmarcas impulsionou operação
A dupla iniciou as conversas com a Farmarcas há pouco mais de um ano e, logo de cara, algo chamou sua atenção. “Logo no primeiro dia em que visitamos a sede do agrupamento, o Edison Tamascia nos chamou para tomar um café. Nunca havíamos tido um contato tão próximo com uma liderança tão importante do setor”, declara José Roberto.
Em setembro de 2025, eles firmaram um pré-contrato com a companhia e inauguraram a loja sob a bandeira Ultra Popular em abril deste ano. Com o suporte da administradora e as ferramentas disponíveis aos associados, o faturamento mensal já chegou a R$ 650 mil.
Na lista de planos está alcançar a receita de R$ 1 milhão por mês só com essa unidade ainda em 2026. Para 2027, os Oliveiras projetam trazer mais uma de suas três farmácias para o ecossistema, além de estudarem a abertura de um PDV estratégico em frente à Estação Primavera-Interlagos da CPTM, na qual trafegam mais de 15 mil pessoas todos os dias.
“Com o auxílio da Farmarcas e o que pudemos aprender nesses 40 anos de varejo, tenho certeza de que ainda temos muito a conquistar”, finaliza Gilberto Marcos.
