Medipreço mira R$ 150 milhões de faturamento até 2030
Startup oferece plano de medicamentos e captou R$ 2,5 milhões no mercado
por César Ferro em e atualizado em
A Medipreço, startup que oferece planos de medicamentos como benefício corporativo, captou R$ 2,5 milhões para impulsionar sua expansão e fortalecer o uso de inteligência artificial (IA) na plataforma. Com a nova rodada, a companhia projeta triplicar de tamanho anualmente e alcançar R$ 150 milhões em faturamento até 2030. As informações são da Exame.
O aporte, liderado pela BDev Ventures, ocorre em um momento de forte crescimento da healthtech e reforça uma tendência relevante para o mercado farmacêutico: a consolidação de novos modelos de acesso a medicamentos.
Medipreço une acesso e benefício
Fundada em 2020, a empresa opera com um modelo B2B que permite às contratantes disponibilizarem um saldo para que colaboradores adquiram medicamentos. As compras podem ser feitas tanto pelo aplicativo da plataforma quanto em farmácias físicas.
Sua origem está na identificação de um gargalo estrutural do sistema de saúde: o acesso ao tratamento medicamentoso. “Temos um problema clássico: focar na gestão das pessoas doentes e pouco na prevenção ou em permitir que as pessoas tenham acesso ao tratamento. Se elas conseguem se tratar, evitam o agravamento da doença”, diz o CEO e fundador Bruno Oliveira.
A proposta da empresa é que esse benefício siga trajetória semelhante à de outros, como planos odontológicos e academias, ampliando sua penetração no Brasil. “Esperamos que a população brasileira tenha uma cobertura digna de medicamentos. Então, atendemos quem tem interesse em pagar a medicação, sejam empresas, planos de saúde, prefeituras, municípios ou o governo”, afirma.
A empresa já atende cerca de 500 mil vidas e possui mais de 100 clientes, entre grandes companhias e planos de saúde, consolidando sua presença em um nicho ainda em expansão no Brasil.
Crescimento acelerado e foco em grandes empresas
A startup alcançou o breakeven no fim de 2023 e registrou crescimento de dez vezes nos últimos 24 meses. Segundo o executivo, o foco em grandes empresas foi determinante para a escalabilidade do modelo. “Encontramos nosso primeiro mercado endereçável nas grandes empresas, e isso tem sustentado um crescimento consistente da operação”, afirma.
Com o novo aporte, a Medipreço pretende ampliar a equipe comercial e reforçar sua estratégia de distribuição, baseada em parcerias com corretoras de seguros, empresas de benefícios e operadoras de vale-refeição. Outro pilar importante será o desenvolvimento de soluções com IA.
Inteligência artificial deve transformar jornada de compra de medicamentos
A tecnologia é um dos principais pilares da estratégia da healthtech. Atualmente, a plataforma já utiliza IA para leitura e validação de receitas médicas e, com os novos recursos, pretende evoluir para aplicações mais avançadas, como:
- Identificação de padrões de consumo
- Previsão de riscos de adoecimento
- Automação da jornada de compra
- Integração de atendimento via canais como WhatsApp
Segundo Oliveira, o uso de dados pode contribuir para uma abordagem mais preventiva no sistema de saúde. “Temos informações de comportamento de consumo que nos ajudam a entender se um usuário pode desenvolver uma doença. A ideia é ajudar todo o ecossistema – sempre dentro das regras da LGPD e da política de privacidade – a evitar o adoecimento com o uso de inteligência artificial”, declara.
Captação reforça conexão com mercado internacional
O investimento da BDev Ventures marca a quarta captação da Medipreço, após rodadas anteriores como aceleração, anjo e pré-seed. A entrada de um fundo sediado no Vale do Silício é vista como estratégica pela companhia, especialmente pela maturidade do mercado de planos de medicamentos nos Estados Unidos.
“A companhia já estava em breakeven e não estávamos com uma rodada aberta. O fundo se aproximou, gostou do negócio e fez uma proposta de investimento que entendemos ser uma boa oportunidade”, explica Oliveira.
O executivo também destaca o potencial de aprendizado com o investidor internacional. “Ter um investidor que já acompanhou esse ecossistema funcionando traz expertise, abre portas para novos investidores qualificados e acelera o crescimento da companhia”, completa.