Reforma tributária ameaça margens e exigirá nova gestão
por Gilson Coelho em e atualizado em A reforma tributária deve provocar uma mudança estrutural na forma como farmácias gerenciam compras, estoques e margens de lucro. O tema foi debatido em mais uma edição do projeto Quartas de Conhecimento, do Panorama Farmacêutico, com participação do especialista em gestão Gilson Coelho.
Durante o webinar, o executivo destacou que a emenda constitucional aprovada em 2023 já possui cronograma definido. O ano de 2026 funcionará como fase de testes, enquanto as mudanças passam a impactar diretamente o setor a partir de 2027. A transição será gradual até 2033, com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelos novos CBS (federal) e IBS (estadual e municipal).
Segundo Gilson, mais importante do que discutir aumento ou redução de carga tributária é entender o novo ambiente competitivo. “A pergunta deixa de ser quanto imposto vou pagar e passa a ser o quanto minha gestão está preparada”, ressaltou.
Reforma tributária põe fim a diferenças entre estados
O especialista explicou que o modelo atual favorecia empresas com maior capacidade de engenharia tributária, explorando diferenças entre estados. Com a simplificação, essa vantagem tende a desaparecer, deslocando o foco competitivo para a eficiência operacional.
Nesse novo cenário, farmácias precisarão elevar o nível de gestão para proteger suas margens. Entre os pontos críticos estão a profissionalização das compras, o controle rigoroso de estoques e a precificação por categoria.
Gilson alertou que a má gestão de estoque pode comprometer diretamente o caixa, destacando que, em média, é necessário vender 19 itens de alto giro para compensar um produto parado. Em alguns casos analisados, até 60% do estoque estava imobilizado.
Margem líquida e split payment demandam atenção
Outro ponto de atenção é a margem líquida. Segundo o executivo, operar com rentabilidade de 2% ou 3% coloca o negócio em risco, sendo necessário buscar ao menos 10% para garantir sustentabilidade.
O webinar também abordou o conceito de split payment, mecanismo que será adotado na nova reforma e que impedirá o uso do imposto como capital de giro, exigindo maior disciplina financeira.
Ao final, o especialista reforçou que o sucesso no novo modelo dependerá de gestão baseada em dados, abandono de práticas intuitivas e foco total em indicadores de desempenho.