Exclusivo: apps de farmácias registram 61,2% de recorrência
Canal registra conversão de 6,6% e tíquete médio de R$ 278,83 no primeiro semestre de 2026
por Adriana Bruno em
Os apps de farmácias registraram 61,2% de recorrência no primeiro semestre de 2026, acima dos 58,9% observados em supermercado e alimentos. O dado reforça o peso da recompra na jornada digital do consumidor de medicamentos e produtos de saúde. A categoria farmácia e beleza também apresentou 6,6% de conversão e tíquete médio de R$ 278,83, segundo o Kobe App Commerce Report 2026.
O comportamento coloca o aplicativo próprio em uma posição relevante para operações que trabalham com consumo recorrente, relacionamento e conveniência. Em farmácias, entram nessa dinâmica compras de medicamentos e produtos de uso contínuo, reposição de itens e novas compras a partir do histórico do consumidor. “Em alguns segmentos, o app resolve recompra. Em outros, ele constrói confiança, consideração e relacionamento antes da conversão”, comenta Fabio Barboza Filho , CEO e cofundador da Kobe.
Ainda de acordo com ele, um exemplo bastante claro é o consumidor que faz uso contínuo de determinado medicamento. “No app, essa jornada pode ser muito mais simples. Ele encontra rapidamente o produto que já comprou, pode ter seus dados e meios de pagamento salvos, escolher entre entrega ou retirada e receber, mediante suas permissões, lembretes de que está chegando o momento de realizar uma nova compra”, ressalta.
É exatamente esse tipo de conveniência que transforma o aplicativo em hábito. “A marca deixa de depender de o consumidor lembrar dela, fazer uma nova busca ou iniciar novamente toda a jornada de compra. E isso ganha ainda mais importância quando olhamos para a dinâmica competitiva do varejo farmacêutico”, completa Barboza Filho.
Recorrência favorece estratégias de recompra
A diferença entre recorrência e conversão chama atenção no desempenho do canal. Para o segmento, o dado desloca o foco do aplicativo como simples vitrine digital para uma ferramenta de retenção e frequência de compra. Recursos como histórico de pedidos, comprar novamente, listas recorrentes e lembretes de reposição reduzem etapas para quem já conhece o produto e volta ao canal.
O levantamento aponta ainda pagamento salvo (36%) e comprar novamente (34%) entre as funcionalidades utilizadas pelos consumidores. O histórico de pedidos chega a 49%, enquanto o rastreio lidera, com 72% de utilização. “Quando o consumidor volta espontaneamente ao aplicativo, a empresa não precisa disputar novamente essa mesma pessoa em mídia, busca ou marketplace a cada nova compra. Ela passa a construir um canal proprietário de relacionamento e recompra”, pontua o executivo.
Para ele, existe ainda uma particularidade ao olhar farmácia e beleza juntas. “Enquanto parte da jornada é orientada à reposição e à conveniência, beleza, dermocosméticos e cuidados pessoais também apresentam um componente importante de descoberta. Um bom app precisa atender aos dois comportamentos, ou seja, ser extremamente eficiente quando o consumidor sabe o que quer e, ao mesmo tempo, relevante quando ele está aberto a descobrir algo novo”, afirma.
Push entra na disputa pela frequência
A comunicação pós-compra também ganha espaço nessa estratégia. As push notifications podem ser utilizadas para status do pedido, disponibilidade para retirada, recompra, reposição de estoque e ofertas.
O estudo mostra que 72% dos consumidores consideram úteis as notificações sobre status do pedido. Já as mensagens promocionais têm 46% de percepção de utilidade quando são relevantes para o usuário.
Há, porém, um limite para essa ativação – 78% afirmam se incomodar com o excesso de notificações. Para o varejo, a frequência e a relevância da comunicação passam a ser tão importantes quanto a capacidade de gerar novos contatos com a base.
Integração com a loja amplia o papel do app
O aplicativo também aparece como ponto de conexão entre canal digital e loja física. Compra com retirada na unidade, consulta de estoque e aviso de pedido pronto são algumas das possibilidades citadas pelo levantamento.
A lógica se estende à venda assistida, na qual o vendedor pode acessar catálogo, disponibilidade, benefícios e histórico do cliente. O app passa, assim, a participar da operação da loja e não apenas da venda realizada remotamente.
Para as redes, essa integração permite trabalhar benefícios, cupons, campanhas segmentadas por localização e recompra em uma mesma jornada.
Barboza Filho destaca que a integração começa quando a empresa deixa de enxergar app, e-commerce e loja como três jornadas diferentes e passa a enxergar um único consumidor transitando entre elas.
“No varejo farmacêutico isso é especialmente relevante por causa da enorme capilaridade das lojas. O aplicativo pode identificar a unidade mais conveniente, mostrar disponibilidade de produtos, permitir uma compra digital com retirada física, acompanhar um pedido e concentrar benefícios e relacionamento em uma única experiência. O consumidor também pode começar uma jornada no digital e concluí-la na loja, ou fazer exatamente o oposto”, detalha.
O ponto central para o consumidor é que ele não precisa iniciar uma transação do zero toda vez que muda de canal. Por isso, o app não pode ser simplesmente uma reprodução do site dentro de uma tela menor. Ele precisa ser pensado a partir do comportamento mobile e das particularidades daquela categoria. “Em farmácia, existem elementos muito específicos de jornada, busca, recompra, benefícios, disponibilidade, conveniência e integração com a operação física que precisam estar refletidos no produto e na experiência de UI e UX”, finaliza.