As prescrições digitais estão deixando de representar um recurso emergencial no Brasil e se consolidando como parte da infraestrutura central do mercado de saúde no país, de acordo com o Panorama da Prescrição Digital 2026.
O relatório divulgado pela Memed revelou que, entre 2022 e 2025, o ecossistema registrou um crescimento acumulado de 87,02% no volume de receitas emitidas e de 125,66% no total de itens prescritos.
“Em relação aos países mais desenvolvidos, o Brasil ainda percorre uma curva de adoção da prescrição digital, mas avançou de forma significativa nos últimos anos”, afirma César Bentim, conselheiro consultivo da Riverdata.
Essa expansão foi sustentada pela ampliação simultânea da base de médicos prescritores (+91,26%) e pelo aumento de 72,09% no número de pacientes atendidos por meio da plataforma.
“O desenvolvimento da telemedicina durante a pandemia acelerou esse processo e transformou uma tecnologia ainda em fase de experimentação em uma realidade cada vez mais presente na jornada de cuidado”, complementa o executivo.
Novos médicos impulsionam as prescrições digitais
Ainda de acordo com a companhia, um dos principais motores dessa digitalização é a mudança geracional vivida pela classe médica brasileira. Em 2025, os profissionais com idade entre 20 e 49 anos representavam 82,42% da base ativa de prescritores.
A faixa de 30 a 39 anos lidera a participação (39,02%), seguida pelos grupos de 40 a 49 anos (24,34%) e de 20 a 29 anos (19,06%). Do lado dos pacientes, observa-se uma maioria feminina (63,96%) e uma forte concentração nas faixas etárias economicamente ativas, principalmente entre 35 e 59 anos (41,7%) e 20 a 34 anos (21,2%).

Os médicos recém-formados ou em início de carreira, na faixa de 20 a 29 anos, registraram o maior crescimento no atendimento remoto via plataforma, com um salto de 164% na sua participação entre 2022 e 2025.
Prescrições avançam com telemedicina mais diversa
O avanço do canal ainda transparece com maior intensidade no atendimento remoto, ganhando destaque conforme a telemedicina atravessa uma fase de maturação e se estabelece na rotina de diferentes segmentos, deixando para trás a alcunha de “pronto-socorro virtual”.
Nos primeiros anos da regulamentação dos atendimentos virtuais, as consultas eram amplamente dominadas por médicos Generalistas e pela Clínica Médica, que somavam 51,98% de todas as prescrições em 2022. Em 2025, a participação conjunta dessas duas áreas recuou para 38,73%, abrindo espaço para a expansão de especialidades focais.
Atualmente, a Psiquiatria é a segunda maior especialidade da telemedicina no canal, com 18,31% das prescrições no último ano, consolidando o atendimento remoto para tratamentos de saúde mental.
Em paralelo, especialidades como Medicina de Família e Comunidade (6,84%), Dermatologia (4,43%), Endocrinologia e Metabologia (3,92%) e Ginecologia e Obstetrícia (3,89%) vêm ampliando sua atuação via teleconsulta.

“A transformação da saúde brasileira, potencializada pela digitalização das prescrições, vem produzindo uma quantidade inédita de informações capazes de revelar padrões assistenciais, tendências epidemiológicas, comportamento terapêutico e oportunidades de melhoria no cuidado”, afirma Dr. Fábio Tabalipa, diretor médico e head de dados da Memed.
