Maxxi Econômica aprova recuperação e fecha lojas deficitárias
Rede gaúcha reestrutura dívida de cerca de R$ 50 milhões após acordo com credores e reduz operação para conter perdas
por Adriana Bruno em
A Maxxi Econômica, tradicional rede de farmácias do Rio Grande do Sul, teve o plano de recuperação judicial aprovado pelos credores. Fundada em 1950 e com sede em Canoas (RS), a empresa passa por uma reestruturação financeira que envolve uma dívida de aproximadamente R$ 50 milhões, segundo reportagem da GZH.
O processo teve início em 2025, em meio a uma crise financeira que vinha se acumulando. Entre os fatores citados pela empresa estão o juro elevado e os impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.
Segundo a GZH, 20 farmácias da rede foram inundadas durante o episódio. A dívida submetida ao processo era de R$ 71,5 milhões, enquanto débitos tributários e com cooperativas, fora da recuperação judicial, elevavam o passivo total para cerca de R$ 100 milhões.
Em 2025, o Panorama Farmacêutico já havia noticiado as dificuldades da empresa. Na época a rede afirmou que recorreu a esse expediente “com o propósito de preservar empregos, manter salários em dia e dar continuidade ao atendimento à população das classes C e D – seu principal público – com qualidade e proximidade”.
“O plano apresentado visava tratar os passivos, mas priorizaria os colaboradores na reorganização dos pagamentos”, comenta Leandro Malta Martins, do escritório Malta Martins Advocacia.
Operação mais enxuta
Como parte da estratégia de reestruturação, a Maxxi Econômica fechou lojas que operavam com prejuízo. Com a medida, a rede passou a contar com 35 unidades. A companhia já havia reduzido significativamente sua estrutura antes mesmo da aprovação do plano.
Em 2025, a empresa chegou a operar 200 lojas e empregar 1,5 mil funcionários. Naquele momento, após uma primeira rodada de redução da estrutura, eram 60 unidades e 620 trabalhadores.
Agora, com 35 unidades, a estratégia é concentrar a operação nas lojas que permanecem em funcionamento. O fechamento das unidades deficitárias foi uma das medidas adotadas para reduzir perdas e adequar a estrutura da companhia ao processo de recuperação.
Acordo com credores
O plano aprovado prevê deságios entre 15% e 95% para o pagamento dos créditos, de acordo com as condições estabelecidas para cada categoria. Os trabalhadores terão tratamento diferente. Os valores devidos deverão ser pagos integralmente em até três anos.
A estrutura do acordo também prevê prioridade para empresas que são credoras da Maxxi Econômica e que continuarem fornecendo mercadorias com pagamento a prazo. De acordo com o advogado Cesar Carrera, do escritório Carrera Campos Advogados, a medida busca contribuir para o reabastecimento das lojas e para a retomada da operação.
Venda de ativos
Outra frente prevista no processo é a disponibilização de bens dos sócios para venda. Conforme explicou Carrera à GZH, os recursos obtidos serão destinados ao pagamento dos créditos.
As dívidas tributárias, que não estão incluídas na recuperação judicial, também estão em negociação. Esse passivo é separado dos débitos contemplados pelo plano aprovado pelos credores.
A aprovação do plano representa uma nova etapa da recuperação judicial da Maxxi Econômica. Com a renegociação dos débitos, a redução da estrutura e a venda de ativos prevista no plano, a empresa passa a executar as condições acordadas com os credores enquanto mantém a operação das unidades remanescentes.