Morre Ronaldo Carvalho, fundador da Abrafarma
Acionista controlador da Drogaria São Paulo, executivo foi o primeiro presidente da entidade
por César Ferro em e atualizado em
Faleceu, na última quarta-feira, dia 30, Ronaldo Carvalho, fundador e primeiro presidente da Abrafarma. O executivo, que também foi acionista controlador da Drogaria São Paulo, tinha 82 anos.
Segundo nota divulgada pela entidade, ele sofreu um mal súbito durante sua estadia em Paris, na França.“Sua visão, liderança e capacidade de reunir o setor foram fundamentais para a criação da associação e para a construção das bases que permitiram seu desenvolvimento ao longo dos anos”, afirma o CEO Sérgio Mena Barreto no comunicado.
Ronaldo Carvalho teve papel na modernização do setor
Engenheiro mecânico de formação, Carvalho construiu uma trajetória de mais de três décadas dedicada à modernização do varejo farmacêutico nacional. Em entrevista à jornalista Mariana Godoy, no programa Abrafarma Talks, ele relembrou os bastidores da criação da entidade e as transformações regulatórias e econômicas que moldaram o setor.
Fundada nos anos 90, a associação surgiu diante de um varejo farmacêutico que ainda operava sob o sistema de plantões obrigatórios e o zoneamento comercial. Na visão do executivo, a medida protegia mais os poucos estabelecimentos autorizados a funcionar à noite e aos fins de semana do que atendia ao interesse do consumidor.
Foi nesse contexto que, em 1991, o acionista, junto a outros líderes de redes como a Drogal, começou a articular a criação de uma entidade de classe capaz de dialogar institucionalmente com o poder público.
Entidade lutou pelo fim do modelo de plantões
Uma das primeiras batalhas da associação foi, justamente, contra esse modelo de plantões. A Drogaria São Paulo foi pioneira ao implantar operação 24 horas no município de Santo André (SP). “Plantão devia ser uma obrigação de abrir, e não uma obrigação de fechar”, resumiu Carvalho na entrevista.
A Abrafarma também enfrentou leis municipais que impunham distanciamento mínimo entre farmácias, medida que o executivo classificava abertamente como “reserva de mercado”.
Empresário também atuou nos bastidores econômicos e da operação
Sua atuação também esteve entrelaçada a grandes momentos da economia brasileira. Durante as discussões que levaram à introdução dos medicamentos genéricos no país, ele atuou nos bastidores junto ao setor, defendendo que a chegada dessa nova categoria fosse condicionada à aprovação da Lei de Patentes. A estratégia buscava garantir proteção à propriedade intelectual e preservar o interesse dos grandes laboratórios internacionais em trazer tratamentos inovadores ao país.
Já na operação das farmácias, Carvalho aplicou na Drogaria São Paulo um sistema pioneiro de previsão de vendas e gestão científica de estoque, inspirado em seu trabalho acadêmico desenvolvido na Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC).
De rivais a parceiros
Partiu do executivo também a ideia de unir as operações da rede paulista com a Drogaria Pacheco – um dos marcos mais decisivos de sua carreira. “Cada rede era a maior de seu estado. Por que ficar brigando? Vamos parar com essa briga, nos juntar e montar aquela que será a maior rede de farmácias do Brasil”, relembrou.
Mercado presta homenagens
Executivos e redes de farmácias já se manifestaram sobre o falecimento. Confira alguns dos comentários:
Grande perda. Excelente pessoa e um dos maiores líderes que o nosso setor já teve.
Eugênio De Zaggotis, membro do conselho da RD Saúde
Grande perda. Visionário. Contribuiria muito no mundo de hoje.
Julio Mottin Neto, CEO do Grupo Panvel
O legado de Ronaldo Carvalho para o varejo farmacêutico será sempre lembrado.
Paulo de Tarso, CEO da Farmácia Permanente
Ronaldo contribuiu de maneira marcante para a união, a ética e o desenvolvimento de nosso setor. Sua atuação demonstrava a compreensão de que o progresso das empresas deve caminhar junto com a responsabilidade perante a sociedade.
Deusmar Queirós, fundador da Pague Menos