Descontinuação de medicamento para epilepsia alarma médicos e pacientes
Segundo a Abbott, fabricação do Depakote Sprinkle será encerrada em dezembro
por César Ferro em
Até dezembro deste ano, o Depakote Sprinkle 125 mg, medicamento para epilepsia da Abbott à base de divalproato de sódio, será retirado do mercado mundial. A medida foi recebida com preocupação por entidades médicas e por pacientes. As informações são do portal Pulsa, do Estadão.
Por meio de uma carta de repúdio, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) e a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) manifestaram sua preocupação com a decisão. Segundo as entidades, não há um substituto equivalente em facilidade de administração e perfil farmacocinético, apesar de existirem outras apresentações e sais do princípio ativo.
“Entendemos que a descontinuação de uma formulação utilizada por populações vulneráveis representa um retrocesso assistencial e acarretará prejuízos irreparáveis à saúde infantil, incluindo o aumento do risco de descompensação de crises epilépticas, com necessidade de hospitalizações e impacto econômico e na qualidade de vida do paciente e dos cuidadores”, afirmam.
Medicamento para epilepsia será descontinuado em todo o mundo
Segundo a Abbott, o Depakote Sprinkle será descontinuado porque a fabricante parceira encerrará sua produção. A decisão terá efeito global. “Essa situação não está relacionada à sua qualidade, segurança ou eficácia, e as unidades atualmente disponíveis no mercado podem ser usadas normalmente”, declara. A farmacêutica orienta pacientes e familiares a esclarecerem eventuais dúvidas sobre opções terapêuticas com profissionais de saúde.
Administração mais fácil é o grande diferencial
Uma das principais características do fármaco é seu formato de administração. Por conter microesferas, o produto pode ser ingerido inteiro ou misturado a uma pequena quantidade de alimento macio.
“Essa apresentação facilita a administração em determinados pacientes, particularmente crianças e pessoas com dificuldades de deglutição, problemas de tolerabilidade ou esquemas terapêuticos já estabilizados”, argumenta a neurologista infantil e coordenadora do Departamento Científico de Epilepsia da SBNI, Kette Valente.
O Depakote Sprinkle também apresenta liberação prolongada, o que garante uma melhor adesão e tolerabilidade, além de evitar flutuações do nível sérico. “Essa característica tem particular relevância no tratamento das crianças com epilepsias, pois habitualmente elas apresentam deficiência intelectual, transtornos do neurodesenvolvimento, dificuldades comportamentais, disfagia e intolerância às apresentações orais líquidas, saborizadas e adocicadas”, diz a nota.
As entidades também reforçam que essa é a única apresentação de divalproato de sódio que não contém carboidratos. A ausência desse componente é especialmente importante para crianças que seguem a dieta cetogênica – que pode ser utilizada por pacientes que não respondem às medicações.