Custo dos genéricos indianos desafia plano de Trump
País fornece cerca de 40% dos genéricos usados nos EUA
por Gabriel Noronha em
A Índia tem dificultado os planos de Donald Trump de transferir a fabricação de fármacos aos Estados Unidos por meio de tarifas comerciais. Com custos de produção até quatro vezes menores, o país asiático é responsável pelo fornecimento de cerca de 40% dos medicamentos genéricos utilizados nos EUA. As informações são do portal C-Level, da Folha de S. Paulo.
Em uma publicação nas redes sociais em julho, Trump anunciou a intenção de impor taxas de 100% sobre genéricos importados a partir de 2028, com previsão de elevar a alíquota para 200% em 2029. Os produtos, no entanto, ficaram fora da nova rodada de tarifas farmacêuticas anunciada em 6 de outubro.
Especialistas alertam que taxar esses medicamentos pode elevar os preços e provocar escassez, já que os genéricos representam 90% das prescrições nos EUA.
Índia mantém vantagem na produção de genéricos
A competitividade indiana está ligada à mão de obra mais barata, à escala industrial e à rapidez na instalação de fábricas, revela Sudarshan Jain, secretário-geral da Indian Pharmaceutical Alliance, que estima o aumento dos custos com uma eventual transferência das produções para os Estados Unidos.
A unidade da Dr. Reddy’s Laboratories em Hyderabad, por exemplo, fabrica cerca de 1 bilhão de doses orais por mês, das quais 75% são destinadas aos Estados Unidos.
“Nos EUA, quando a patente expira, você esquece o produto”, afirmou Jain. “Mas, na Índia, os empreendedores continuam trabalhando e desenvolvendo o medicamento e, nesses volumes, você fica melhor em fabricá-lo”, acrescenta.
Outro fator determinante para a cadeia farmacêutica é o acesso a matérias-primas importadas. A China é a principal fornecedora mundial de princípios ativos, e a Índia tenta ampliar sua capacidade de produção para reduzir essa dependência.
Jain defende a cooperação entre os países e afirma que faz sentido os compradores americanos “formarem estoques a partir da Índia”, em vez de fabricar medicamentos nos Estados Unidos por “seis, sete ou oito vezes o preço”.