BHS mira 20% de market share com programa de logística reversa de amostras grátis
Desde 2019, companhia já recolheu cerca de 17 toneladas de medicamentos e materiais promocionais com propagandistas
por César Ferro em
A logística reversa é um tema recorrente no varejo farmacêutico. Porém, quando o assunto é a força de vendas das indústrias, o tema ainda é pouco explorado. Por isso, a BHS Brasil – Health & Sustainability quer assumir a dianteira nesse segmento.
A empresa, que atua nesse mercado há 25 anos, estruturou o Prodescarte em 2018. Agora, o objetivo é ampliar a adesão ao serviço e alcançar 20% de participação de mercado até 2030.
Conexão remonta às origens da companhia
Segundo José Agostini Roxo, sócio-diretor da companhia, a empresa nasceu voltada ao marketing farmacêutico. Em 2008, passou a atuar também na gestão de resíduos e na logística reversa de medicamentos.
Uma década depois, chegou o momento de combinar os dois braços da operação. “O programa foi lançado para coletar amostras grátis e materiais promocionais, principalmente aquelas peças que exigem a descaracterização da marca antes da reciclagem”, explica.
O programa tem como objetivo mitigar problemas como o armazenamento inadequado e o descarte incorreto de medicamentos, além de reduzir a exposição indesejada das marcas e os riscos ambientais. “Em outras palavras, trata-se de governança sobre materiais que ficam espalhados geograficamente, nas mãos da força de vendas”, completa.
Libbs é um dos players a adotar a logística reversa de amostras e materiais
Parceira do projeto desde 2019, a Libbs teve uma motivação inicialmente operacional. De acordo com Elaine Leite, coordenadora de meio ambiente da farmacêutica, a parceria foi estabelecida para gerenciar o retorno de amostras grátis que venciam em posse dos propagandistas.
Desde o início do programa, foram realizadas 580 coletas em parceria com a farmacêutica, que somam cerca de 17 toneladas de resíduos. Além do descarte adequado, o laboratório também busca evitar o desperdício, avaliando a possibilidade de realocar os itens dentro da equipe.
“O principal obstáculo era a falta de rastreabilidade e os desafios para a coleta, uma vez que nossos representantes estão espalhados por todo o Brasil”, afirma. Para enfrentar essas dificuldades, a empresa desenvolveu um software específico para a operação.
Software organiza logística reversa junto a propagandistas
O centro da operação passou a ser o Sistema S-BHS, plataforma que conecta representantes, transportadores e empresas responsáveis pela destinação dos resíduos, sob coordenação da companhia. “Quando ele tem materiais para descarte, basta acessar o programa e solicitar a coleta”, explica Roxo.
O propagandista informa quais materiais serão retirados, o peso e a quantidade de volumes. Por padrão, a coleta ocorre no endereço principal cadastrado, geralmente a própria residência do executivo. A BHS coordena a retirada por meio de transportadores habilitados, e o representante pode acompanhar todo o processo pela plataforma.
A gestão documental também ocorre no ambiente virtual. O S-BHS registra cada operação e mantém o histórico dos documentos associados, incluindo o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) e o Certificado de Destinação Final, que encerra o ciclo.
“Com isso, a indústria deixa de depender de controles pulverizados entre centenas ou até milhares de profissionais e passa a contar com uma base centralizada, que informa o que foi coletado, onde, quando, em que quantidade e qual foi a destinação”, completa. Esses dados também são consolidados em indicadores gerenciais e de ESG, que as companhias podem utilizar em relatórios internos e externos.
Capilaridade de transportadoras diminui pegada de carbono
Na operação logística, o sistema cruza as demandas para identificar o fornecedor mais próximo e adequado. “Essa otimização nas rotas é muito importante para diminuir as emissões de carbono do frete”, destaca Elaine.
Para viabilizar essa otimização, a BHS trabalha com cerca de 100 transportadoras homologadas para atender aos aproximadamente 6 mil pontos de coleta periódica.
1/5 do mercado até o fim da década
Atualmente, o sistema segue em evolução. Entre os principais desenvolvimentos estão adaptações na interface e o detalhamento da rastreabilidade, com registros específicos dos medicamentos descartados e categorização dos materiais promocionais.
O modelo comercial do Prodescarte combina uma mensalidade fixa pelo uso do sistema e uma cobrança por demanda de coleta. Até 2030, a meta da BHS é triplicar a carteira de clientes e alcançar 20% de participação de mercado entre os laboratórios que contam com equipes externas de vendas.
Em paralelo, a empresa amplia seu portfólio de soluções em outras frentes da logística reversa. “Estamos desenvolvendo um projeto para a destinação correta de canetas aplicadoras, como as de insulina e GLP-1”, revela Roxo.