Abrafad cresce 13,3% e movimenta R$ 131,7 bilhões
Levantamento da Close-Up International mostra avanço das vendas, expansão das redes associativistas e diferenças de desempenho por categoria, porte de município e maturidade das farmácias
por Adriana Bruno em
As vendas vinculadas à Abrafad somaram R$ 131,7 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, alta de 13,3% em relação ao período anterior. O desempenho superou o crescimento de 12,9% do mercado farmacêutico brasileiro, que movimentou R$ 262,3 bilhões no mesmo intervalo.
Os dados fazem parte de levantamento da Close-Up International apresentado durante o 11º Encontro Abrafad, que contou com cobertura do Panorama Farmacêutico.
O avanço das redes associativistas também se reflete na agenda de relacionamento e desenvolvimento comercial da entidade. Segundo Nilson Ribeiro, diretor executivo da Abrafad, o encontro de negócios realizado nos dias 6, 7 e 7 de outubro, reuniu empresas representativas do setor e ampliou as oportunidades para os associados.
“Os nossos patrocinadores diamantes foram empresas renomadas, de grande representatividade do setor e que trouxeram para os nossos associados boas oportunidades de negócio”, afirmou Ribeiro. O executivo classificou a edição como a melhor já realizada, com base na avaliação das redes participantes.
A evolução das vendas confirma a trajetória de expansão observada nos últimos anos. Em agosto de 2022, o volume acumulado em 12 meses era de R$ 83,9 bilhões.
O montante passou a R$ 92,1 bilhões em 2023, R$ 104,3 bilhões em 2024 e R$ 116,2 bilhões em 2025, até alcançar o patamar atual. Entre 2022 e 2026, a taxa média anual de crescimento foi de 11,9%.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a alta foi de 12,5%. No trimestre móvel encerrado em agosto, o avanço chegou a 10,6%, enquanto a variação mensal foi de 8,8%. No mercado brasileiro como um todo, os indicadores correspondentes foram de 12,4%, 10,3% e 8,3%.
Evolução das vendas da Abrafad em bilhões de R$

Redes associativistas ampliam presença
A Abrafad representava 8,6% dos pontos de venda farmacêuticos em agosto de 2026. No mesmo período, o mercado contabilizava 50.972 estabelecimentos, ante 51.644 em agosto de 2025.
O levantamento registra saldo positivo de 1.427 lojas para a entidade no balanço de aberturas e fechamentos apresentado. O resultado ficou atrás das federações, com saldo de 1.821 unidades, e à frente da Abrafarma, com 1.077. As redes de outros grupos e as farmácias independentes tiveram saldos negativos de 529 e 2.081 pontos de venda, respectivamente.
A distribuição das novas lojas mostra espaço para expansão em municípios de diferentes portes. Das 410 aberturas atribuídas à Abrafad, 22% ocorreram em cidades com menos de 20 mil habitantes. Municípios de 100 mil a 300 mil moradores responderam por 18,3% das inaugurações, seguidos pelas localidades com população entre 20 mil e 50 mil habitantes, com 15,6%.
A presença em cidades menores tem peso relevante na estratégia de expansão das redes associativistas. No mercado total, por sua vez, a maior parcela das aberturas ocorreu em municípios de 100 mil a 300 mil habitantes, responsáveis por 18,4% do total.
A Abrafad também pretende manter a agenda de relacionamento comercial nos próximos anos. Ribeiro antecipou a continuidade do encontro de negócios, com novidades previstas para 2027.
Cidades menores concentram parte das aberturas

Maturação das lojas revela diferenças de produtividade
O faturamento médio das farmácias em seu segundo e terceiro anos de operação varia de acordo com o porte dos municípios. Nas lojas da Abrafad, a média mensal chegou a R$ 194 mil nas cidades com 100 mil a 300 mil habitantes. Em municípios com menos de 20 mil moradores, ficou em R$ 89 mil.
Nas federações, os valores correspondentes foram de R$ 175 mil e R$ 105 mil. A diferença entre os resultados evidencia a importância de observar o desempenho das unidades de acordo com o perfil de cada mercado, especialmente na avaliação de novas aberturas e do período de maturação.
Os indicadores regionais da Abrafad também apresentam variações. O Nordeste registra participação de 7% e vendas médias de R$ 121,7 mil por loja. No Centro-Oeste, a participação é de 1%, com média de R$ 164 mil.
Sudeste e Sul aparecem com participações de 2% cada e faturamentos médios de R$ 135 mil e R$ 112 mil, respectivamente. No Norte, os índices são de 0,41% e R$ 93,02 mil.
Além dos resultados comerciais, a preparação das farmácias para as mudanças regulatórias está entre as prioridades da entidade.
Durante o Encontro de Líderes, um painel sobre reforma tributária resultou na definição de uma agenda de discussão com dois escritórios de contabilidade e um especialista em tributação. “Precisamos falar de contabilidade, de gestão e tecnologia”, afirmou Ribeiro. A proposta é estruturar orientações para os associados à medida que avançarem a regulamentação e a definição dos parâmetros tributários.
Genéricos e NMED avançam nas lojas maduras
A comparação entre agosto de 2022 e agosto de 2026 mostra que as vendas médias mensais das lojas maduras da Abrafad cresceram 21,4%, passando de R$ 105,2 mil para R$ 127,8 mil.
No mesmo período, o preço médio do mix subiu 30%, de R$ 19 para R$ 25, enquanto a receita por SKU avançou 23%, de R$ 31,34 para R$ 38,47.
O sortimento médio recuou de 3.357 para 3.322 itens, uma redução de aproximadamente 1%. O giro médio também diminuiu, de 1,61 para 1,52, queda de 5,6%.
O recorte por categoria aponta comportamentos distintos. Nas lojas maduras da Abrafad, as vendas de medicamentos genéricos cresceram 46% no período, enquanto NMED avançou 36%. Os produtos exclusivos registraram alta de 18%, e os medicamentos de marca, de 7%. Já a categoria trade apresentou retração de 10%.
Os dados permitem comparar a evolução das categorias dentro das lojas que já ultrapassaram os primeiros anos de operação, além de acompanhar mudanças no mix e nos indicadores de produtividade.
Digital avança no mercado farmacêutico
Embora os indicadores digitais apresentados sejam referentes ao mercado analisado pela Close-Up, e não exclusivamente à Abrafad, eles ajudam a dimensionar a transformação dos canais de venda. O volume digital passou de R$ 5,9 bilhões em outubro de 2024 para R$ 10,7 bilhões em julho de 2026.
A trajetória incluiu R$ 7,9 bilhões em julho de 2025, R$ 8,8 bilhões em outubro daquele ano e R$ 9,9 bilhões em abril de 2026. O crescimento digital também superou o avanço do mercado total em diferentes categorias.
Em GLP-1, as vendas digitais aumentaram 372,8%, ante 67,3% no mercado total. Em MPX, as altas foram de 59,3% e 30,4%, respectivamente. Entre vitaminas e suplementos, o canal digital avançou 37%, enquanto o mercado total cresceu 21,8%.
Prescrições ampliam o campo de análise
Os indicadores de captura de prescrições também apontam diferenças entre os grupos comparados
Nas quatro lojas de melhor desempenho, o mix médio era de 3.642 SKUs, a conversão entre unidades vendidas e prescrições validadas alcançava 27,38% e a receita média por estabelecimento era de R$ 538.240.
Na Abrafad, o mix médio correspondia a 1.419 SKUs, com conversão de 0,49% e receita média de R$ 124.575 por loja.
Em agosto de 2026, foram processadas 172.640 prescrições, ante 100.625 no mesmo mês de 2025, alta de 72%. Após os filtros aplicados na análise, 68.166 registros foram classificados como válidos.