Digitalização das farmácias exige estratégia além do preço baixo
A pressão para vender online tem levado muitas farmácias a cometerem erros estratégicos graves. Ao ingressar no comércio eletrônico, inúmeros gestores caem na armadilha de sacrificar margens com descontos agressivos ou passam a depender exclusivamente de aplicativos de entrega e mensageiros instantâneos, cujas taxas corroem a rentabilidade do negócio.
Esse desespero para marcar presença na internet sem um planejamento claro gera perdas financeiras e afasta a drogaria do seu verdadeiro diferencial competitivo.
É nesse cenário desafiador que a digitalização precisa ser repensada como uma estratégia focada em conveniência, disponibilidade e serviço, e não em uma guerra de preços baixos.
Conforme explica Gabriel Ribeiro, CEO da RetailOn e especialista do Panorama Farmacêutico, a ideia de que o canal online só funciona com margem sacrificada é um dos maiores mitos do setor.
O executivo destaca que os dados das grandes redes e de plataformas parceiras revelam que o consumidor prioriza agilidade e segurança na entrega. “Há uma percepção de que a operação digital sempre assegura o preço mais barato. Não é uma verdade. Essa variável está muito mais focada na disponibilidade de estoque e na garantia de entrega”, ressalta.
Estratégia de preços e os papéis da digitalização por canal
Para construir uma operação verdadeiramente lucrativa, a farmácia precisa entender que cada ponto de contato atende a uma necessidade específica. O aplicativo próprio serve para fidelizar a base com notificações sem custo.
O site atua na captação orgânica de novos clientes pelo Google. O WhatsApp viabiliza um suporte ágil e consultivo, enquanto o televendas ainda acolhe o público mais tradicional, e replicar a mesma tabela de valores em todas essas frentes é um equívoco que destrói a margem da drogaria.
Segundo Ribeiro, o consumidor presente em aplicativos de entrega imediata busca comodidade e aceita pagar valores ajustados para absorver as taxas da plataforma.
A armadilha do terreno alugado e a força da loja física
Outro gargalo crítico está na excessiva dependência de plataformas de terceiros, como o WhatsApp e marketplaces. Com as mudanças nas regras de tarifação da Meta, que passou a cobrar por conversas e restringir integrações, o lojista que mantém sua operação digital restrita a esse canal corre sérios riscos de sustentabilidade.
“Nunca construa sua casa em um terreno alugado. Por isso é importante investir esforços em um site e aplicativo próprios, explorando outras plataformas sem depender inteiramente delas”, adverte.
Por fim, o especialista lembra que a presença digital não substitui o ponto de venda tradicional. Na estratégia omnichannel, a loja física atua como um centro logístico indispensável para entregas ultrarrápidas.
Como a compra de medicamentos decorre da urgência de saúde, estar próximo do consumidor para entregar o pedido em poucos minutos garante às farmácias uma vantagem competitiva que grandes centros de distribuição do e-commerce tradicional jamais conseguirão superar.