Mercado da saúde paga até R$ 90 mil a executivos
Guia Salarial 2027 mostra que 54% das empresas não planejam aumentos além dos reajustes obrigatórios. Desenvolvimento profissional ganha espaço na disputa por talentos.
por Adriana Bruno em
O mercado de trabalho na saúde oferece salários mensais de até R$ 90 mil em cargos de liderança, mas a remuneração elevada convive com um cenário de contenção de custos.
Para 2027, 47% das empresas do setor planejam ampliar suas equipes, enquanto 54% não pretendem conceder aumentos além dos reajustes obrigatórios. O desafio é contratar profissionais qualificados e sustentar o crescimento sem elevar os custos na mesma proporção.
Os dados são do Guia Salarial 2027 da Michael Page, que ouviu 5.762 profissionais e 1.955 empresas, abrangendo 15 setores e mais de 400 cargos. Na área da saúde, o levantamento aponta diferenças salariais expressivas conforme a função, o segmento e o porte da organização, além de mudanças nos critérios de atração e retenção de talentos.
Cargos de liderança concentram as maiores remunerações
A maior remuneração identificada na pesquisa é a de gerente geral de empresas de grande porte do segmento de dispositivos médicos, com salário mensal de até R$ 90 mil. Na indústria farmacêutica, a mesma posição alcança R$ 85 mil.
O porte da empresa também influencia a remuneração. No segmento de dispositivos médicos, o salário de um gerente geral varia de R$ 30 mil a R$ 50 mil nas companhias médias e de R$ 50 mil a R$ 90 mil nas grandes. Na indústria farmacêutica, a faixa vai de R$ 35 mil a R$ 50 mil nas empresas médias e de R$ 50 mil a R$ 85 mil nas grandes.
As diferenças refletem o escopo das posições, que varia conforme o orçamento, o tamanho das equipes e a abrangência das decisões sob responsabilidade de cada executivo.
Os cargos mais bem pagos da saúde

Carreira ganha espaço na disputa por talentos
Apesar das remunerações elevadas nos cargos de liderança, as empresas não apostam apenas em salários mais altos para atrair e reter profissionais. Segundo o levantamento, 23% das companhias de saúde apontam o desenvolvimento profissional como um fator que deve ganhar relevância nos próximos 12 meses. A cultura organizacional aparece em seguida, com 21%, enquanto a remuneração é citada por 19%.
Para Daniela Toledo, diretora de saúde e ciências da vida da Michael Page Brasil, a perspectiva de crescimento precisa ser concreta.
“O ponto central é que plano de carreira precisa sair do papel. Se o profissional não enxerga uma trajetória real de crescimento, ele começa a enxergar essa trajetória fora da empresa”, afirma.
A relação com a liderança também influencia a retenção. Para 62% dos profissionais entrevistados, esse vínculo tem forte impacto na decisão de buscar outra oportunidade. Quando considerados também os que apontam influência moderada, o percentual chega a 90%.
Ao mesmo tempo, 51% das empresas de saúde colocam a otimização de estruturas e equipes entre suas prioridades. O resultado reforça a necessidade de desenvolver profissionais e ampliar a produtividade sem depender exclusivamente de novas contratações.
Conhecimento técnico precisa vir acompanhado de visão de negócio
A especialização continua central, mas as empresas valorizam profissionais capazes de relacionar conhecimento técnico a custos, acesso e resultados. Na indústria farmacêutica, competências em dados, farmacoeconomia, pricing e acesso aos mercados público e privado integram esse perfil.
“Na indústria farmacêutica, ganha espaço o profissional que entende tecnicamente da área, mas também consegue discutir acesso, custo, estratégia e resultado”, explica Toledo.
O avanço tecnológico acrescenta outra dimensão à qualificação profissional. Embora o domínio da inteligência artificial ainda não seja um requisito generalizado, 55% dos profissionais acreditam que essa competência deveria gerar diferenciação salarial.
Entre as empresas de saúde, apenas 3% consideram o domínio da IA um requisito importante, e 16% oferecem acesso amplo às ferramentas. “O que vai diferenciar o profissional não é simplesmente saber usar uma ferramenta, mas saber aplicá-la com julgamento: validar informações, entender limites e incorporar a IA a processos reais”, finaliza a executiva.