Anvisa aprova terapia da AbbVie para câncer de pulmão avançado
Telisotuzumabe vedotina é indicado para pacientes previamente tratados
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A Anvisa aprovou o telisotuzumabe vedotina, da AbbVie, para tratar adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso. Com o registro, o Brasil se tornou o segundo país a autorizar a utilização da terapia, atrás apenas dos Estados Unidos.
O tratamento visa pacientes com tumores localmente avançados ou metastáticos, com alta expressão da proteína c-Met e que já receberam terapias prévias.
Terapia da AbbVie passou por ensaios clínicos
A decisão foi baseada no estudo de fase 2 LUMINOSITY. Entre os pacientes com alta expressão de c-Met, a taxa de resposta objetiva foi de 34,6%, a duração mediana da resposta chegou a nove meses e a sobrevida global mediana foi de 14,6 meses.
O telisotuzumabe vedotina é um anticorpo conjugado a medicamento (ADC) que reconhece a proteína c-Met e entrega uma carga citotóxica às células tumorais que expressam o biomarcador. A estratégia permite selecionar pacientes com características moleculares específicas para um tratamento direcionado.
“A identificação de biomarcadores na oncologia tem permitido avançar em direção a tratamentos cada vez mais personalizados”, afirma William William, líder nacional de oncologia torácica e co-líder nacional de oncologia de cabeça e pescoço do Grupo Oncoclínicas.
Câncer de pulmão registra mais de 32 mil mortes no Brasil
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028. Em 2024, foram registradas mais de 32 mil mortes por câncer de traqueia, brônquios e pulmão no país.
Segundo a AbbVie, o desenvolvimento clínico do telisotuzumabe vedotina ainda inclui o estudo de fase 3 TeliMET NSCLC-01, que compara a terapia ao docetaxel em pacientes previamente tratados com CPNPC não escamoso avançado, alta expressão de c-Met e EGFR selvagem.
Entre as reações adversas mais comuns observadas nos estudos estão neuropatia periférica, fadiga, redução do apetite e edema periférico.