Economia prateada já movimenta mais de R$ 60 bi nas farmácias
Categorias ligadas ao envelhecimento apresentam taxa de crescimento anual de 12%
por César Ferro em
O envelhecimento populacional é um dos vetores de demanda mais previsíveis para o varejo farmacêutico. Na avaliação de Carlos Aguiar, diretor comercial da Close-Up International, porém, a chamada economia prateada ainda está em seus estágios iniciais.
“Hoje, a população com 65 anos ou mais representa 10,7% da população mundial. No Brasil, esse grupo corresponde a 11,2%, o equivalente a cerca de 20 milhões de pessoas”, afirmou durante apresentação no Outlook 2026. Segundo o executivo, o envelhecimento deve se intensificar e alterar a dinâmica de funcionamento das farmácias.
Brasil envelhece mais rápido que a média mundial
Em escala global, a população com 65 anos ou mais deve chegar a 1,6 bilhão de pessoas em 2050, o equivalente a cerca de 16,3% da população mundial. Já o contingente de pessoas com 80 anos ou mais deve passar de 155 milhões, em 2020, para 426 milhões em 2050. “Para o setor, a implicação é direta: entre as pessoas com 65 anos ou mais, 40% usam cinco ou mais medicamentos e 13% utilizam dez ou mais”, alerta o executivo.
No Brasil, a população idosa deve representar 18,7% do total em 2030 e 20,9% em 2035, segundo projeções do IBGE. Em 2070, essa proporção poderá chegar a 37,8%.
“A inversão da pirâmide, com mais idosos do que adolescentes e queda no número de filhos por casal, terá um impacto radical sobre uma indústria que sempre trabalhou com doenças crônicas e tratamentos complexos”, projeta.
Gastos com saúde devem crescer
A participação dos gastos com saúde no PIB também deve crescer nas próximas décadas. Em 2021, o indicador correspondia a 9,7% e, segundo a projeção apresentada, poderá chegar a 12,6% em 2040.
“Nesse contexto, a indústria terá de ampliar o foco na prevenção e no manejo de doenças crônicas, assim como na adesão ao tratamento e no cuidado continuado, promovendo bem-estar, autonomia e qualidade de vida”, afirma Aguiar.
Economia prateada movimentou mercado de envelhecimento
No varejo farmacêutico brasileiro, as principais categorias associadas ao envelhecimento somam mais de R$ 60 bilhões em vendas. Entre 2022 e 2026, o conjunto apresentou crescimento médio anual de 12%. Na comparação mais recente, a categoria de diabetes e metabolismo registrou a maior alta, de 26%.

Para o diretor, os medicamentos genéricos devem ampliar sua participação no mercado, enquanto os de referência tendem a manter relevância por meio da inovação em áreas como oncologia e neuroproteção. “Vale destacar que o envelhecimento sustenta esse movimento, mas o GLP-1 pode mudar a cesta como conhecemos”, aponta.
Segundo ele, a expansão do uso das ‘canetas emagrecedoras’ pode afetar outras categorias terapêuticas, como as de tratamentos cardiovasculares e metabólicos, alterando o mix de prescrição. “Há de se levar em conta também a perda de massa magra, que acompanha o envelhecimento. Ou seja, o cuidado ao público sênior exigirá uma abordagem terapêutica integrada”, conclui.