Anvisa aprova medicamento para o Alzheimer
Leqembi, do Eisai, atua na remoção das placas beta-amiloides do cérebro
por César Ferro em
O Brasil passa a contar com um novo medicamento para o Alzheimer. A Anvisa aprovou o Leqembi, anticorpo monoclonal lecanemabe produzido pelo Eisai Laboratório. As informações são do g1.
O remédio é capaz de desacelerar a progressão da doença por meio da remoção das placas beta-amiloides do cérebro. Até a liberação – ocorrida na segunda quinzena de dezembro – não havia tratamento direcionado ao quadro, apenas às consequências.
Como funciona o novo medicamento para o Alzheimer?
O Leqembi foi desenvolvido para acionar o sistema imunológico e promover a limpeza da amiloide no cérebro. Administrado por infusão, o medicamento é indicado para pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer.
Em estudo publicado em 2022, as infusões foram administradas a cada duas semanas. Após 18 meses de tratamento, o remédio reduziu o declínio cognitivo-funcional dos voluntários, indicando progressão mais lenta da doença. A FDA aprovou o fármaco em 2023.
Testes do Leqembi geraram polêmica nos EUA
Segundo reportagens do New York Times e do The Times, com base nos resultados clínicos, documentos enviados para o processo de aprovação junto à FDA e entrevistas com médicos, cientistas, pacientes e acompanhantes, o Eisai e a Eli Lilly não revelaram a alguns voluntários que eles eram mais propensos a sofrer efeitos colaterais durante os ensaios clínicos.
A tendência teria sido identificada após testes de perfil genético serem solicitados pelas farmacêuticas, no início dos processos. Os exames tinham como principal objetivo descobrir se algum dos voluntários era mais propenso a desenvolver Alzheimer e, dessa forma, mais vulnerável a reações como inchaços e hemorragias no cérebro. Os resultados, no entanto, teriam sido mantidos em sigilo pelas empresas.