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Capacete Elmo, um ano salvando vidas e demonstrando relevância da pesquisa aplicada

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‘Quando vi o capacete, senti uma luzinha lá no fundo do poço. Eu sabia que aquele capacete ia me curar’. A esperança sentida em julho de 2020 pela aposentada Maria Irismar Morais, paciente que usou o capacete Elmo, se concretizou graças ao trabalho de muitas mentes e aos apoios de várias instituições de iniciativa pública e privada. Exatamente um ano depois, Dona Irismar, 71 anos, moradora de Jaguaribe (CE), também tem a satisfação de contar que foi a primeira a se recuperar de Covid-19 depois de utilizar o equipamento desenvolvido no Ceará e já utilizado em milhares de pacientes no Brasil.

O capacete foi idealizado em abril de 2020 em uma força tarefa público-privada de combate à crise sanitária que uniu, além da Fundação Edson Queiroz e da Escola de Saúde Pública do Ceará, um pool de instituições públicas e privadas, como a Secretaria da Saúde do Estado, a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/CE) e a Esmaltec, empresa do Grupo Edson Queiroz.

O professor da Universidade de Fortaleza, Herbert da Rocha, um dos coordenadores do Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin) da Unifor, atuou diretamente na concepção do Elmo. Com formação em design industrial, o professor da Unifor atuou no desenvolvimento do produto e nos estudos de usabilidade. Para ele, ‘foi algo incrível’ ter participado desse processo que resultou em uma solução que já ajudou a salvar tantas vidas.

‘Como designer industrial, a maior satisfação que um profissional pode ter é justamente quando algo que ele se dedicou tanto, passou meses estudando, trabalhando, pensando, encontrando problemas, achando soluções, de repente se concretiza, né? E, nesse caso, se concretiza de uma forma tão especial ajudando na recuperação de pessoas que estavam doentes numa doença que até o presente momento não existe um tratamento medicamentoso’, ressalta. Então, para Herbert da Rocha, fazer parte desse projeto trouxe, além da realização profissional, muita realização pessoal.

O capacete de respiração assistida é composto basicamente de três componentes: uma argola rígida, por onde entram os tubos com provimento de oxigênio; uma base flexível de látex ou silicone, que se ajusta ao pescoço do paciente; e uma coifa de PVC, que é o capacete propriamente dito, montado sobre os outros dois componentes.

O capacete de respiração assistida é composto basicamente de três componentes: uma argola rígida, por onde entram os tubos com provimento de oxigênio; uma base flexível de látex ou silicone, que se ajusta ao pescoço do paciente; e uma coifa de PVC, que é o capacete propriamente dito, montado sobre os outros dois componentes.

Para o professor, o Elmo é um exemplo da importância da pesquisa aplicada. Em meio aos desafios atravessados durante a pandemia de Covid-19, os resultados obtidos pelo equipamento reafirmam a missão da Unifor: ‘contribuir para o desenvolvimento socioeconômico, científico e cultural, por meio da formação de profissionais de excelência, da pesquisa e da extensão universitária’.

Histórico

O uso do capacete Elmo ainda durante a fase de testes clínicos no Hospital Estadual Leonardo Da Vinci contribuiu para que Maria Irismar se recuperasse do quadro grave de Covid-19, quando chegou a ficar com 70% dos pulmões comprometidos. O médico pneumologista, intensivista e um dos idealizadores do dispositivo, Marcelo Alcantara, avaliou novamente a aposentada um ano após ela ter recebido alta. ‘A dona Maria Irismar está muito bem, com a capacidade pulmonar dentro da normalidade. Está muito satisfeita, mostrando que é possível se recuperar da Covid-19 e que o Elmo é uma ferramenta que pode colaborar decisivamente nesse processo’, pontua o médico, que também é o superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE).

Os testes em pacientes desenvolvidos entre junho e outubro do ano passado no hospital da rede pública estadual evidenciaram a eficácia do aparelho. Além disso, foram fundamentais para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizasse a produção do capacete Elmo em escala industrial. Das pessoas tratadas para fins da pesquisa, 60% se beneficiaram e não tiveram de ser intubadas.

Apenas nos primeiros seis meses de uso, o capacete Elmo já tratou mais de três mil cearenses na rede pública estadual nos primeiros seis meses de uso, de acordo com a ESP. Por ser uma tecnologia nova, o manejo clínico do capacete Elmo requer capacitação. A ESP/CE já treinou mais de 1.200 profissionais de saúde desde dezembro de 2020, entre médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, além de engenheiros clínicos.

Fonte: G1.Globo

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