CEO da Pague Menos comenta sobre fim da escala 6×1
Para o executivo, mudança exige preparação das farmácias
por César Ferro em
Em entrevista ao podcast De frente com o CEO, da Exame, Jonas Marques, CEO da Pague Menos, revelou seu ponto de vista sobre o possível fim da escala 6×1. Para o executivo, o tema não é simples.
“Ela não é uma mudança banal e exige preparação das empresas”, afirma. Ele também ressalta que a discussão precisa considerar particularidades do varejo farmacêutico, como a alta demanda e o funcionamento, em muitos casos, 24 horas por dia.
CEO da Pague Menos reconhece benefícios, mas levanta questionamento
Marques reconhece que uma folga adicional por semana pode melhorar a qualidade de vida dos colaboradores, mas levanta um ponto de atenção, especialmente diante da renda pressionada da população.
“(O fim da escala 6×1) é bom porque melhora a qualidade de vida das pessoas, que passam a ter uma folga a mais. (…) Muitas delas vão pegar esse dia e arrumar outro trabalho”, alerta.
Marques também questiona o grau de preparo do mercado brasileiro para uma redução da jornada. Com experiência internacional, ele afirma já ter vivenciado, na prática, um modelo semelhante na Nova Zelândia. “No fundo, a semana ficou mais curta, e o nível de dedicação de muitos também. Será que a gente está preparado para isso?”, questiona.
Lucro pode cair até 15% com mudança de escala
Um levantamento da agência de classificação de risco Fitch Ratings estima que o fim da escala 6×1 no Brasil pode impactar diretamente os resultados do varejo. A projeção aponta para uma redução de até 15% no EBITDA no setor e pressão de até dois pontos percentuais nas margens.
Segundo a empresa, os segmentos mais afetados tendem a ser o varejo farmacêutico e aqueles com forte presença em shopping centers, como o de vestuário.
A análise considera um cenário sem medidas compensatórias e indica que os efeitos tendem a ser mais intensos em segmentos com menor flexibilidade operacional.