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Como revolucionar a criação de medicamentos

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A norte-americana Anne Wojcicki, fundadora da 23andMe, especializada em testes genéticos, olha para o futuro pós-pandemia de covid-19 decidida a transformar a criação de medicamentos. A empreendedora já tinha disposição e capital intelectual; agora, tem mais centenas de milhões de dólares para investir e o bilionário Richard Branson como sócio.

 

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Anne, aos 47 anos, deu em junho um passo imenso: abriu o capital da sua empresa por meio da fusão com a VG Acquisition Corp., de Branson. A operação resultou na captação de US$ 600 milhões e fez o valor da companhia saltar para US$ 3,5 bilhões (avaliações anteriores a colocavam na casa dos US$ 2,5 bilhões). “Não há investimento melhor do que no setor de saúde”, disse Branson ao explicar a decisão. Com a injeção de recursos, Anne quer avançar em tratamentos criados a partir do código genético da vasta clientela que sua companhia angariou até hoje.

 

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A estratégia da 23andMe se apoia em dois pilares principais. O primeiro é evoluir de empresa de testes genéticos para um laboratório avançado de pesquisas genômicas. Ajudam bastante os acordos com a gigante farmacêutica britânica GSK e a empresa espanhola Almirall para, a partir da genética, criar drogas mais certeiras. O segundo pilar é conseguir reconhecimento como marca de saúde e bem-estar personalizados.

 

“A área da saúde precisa de uma força externa para mudar o foco das pesquisas. E essa força virá do DNA de nossos clientes”, explica Anne. A receita futura também dependerá menos dos exames avulsos de ancestralidade, que tornaram a empresa famosa, e mais do serviço de assinatura 23&me+, para quem quer saber regularmente as novidades que seus genes contam.

 

A californiana Anne se formou em biologia na Universidade Yale. Trabalhou como consultora e analista de investimentos com foco em empresas de biotecnologia, até se fartar de Wall Street e pedir demissão em 2000, com planos de cursar medicina. Mudou de ideia e fundou a 23andMe em 2006, ao lado de Linda Avey e Paul Cusenza. Dois anos depois, sua empresa oferecia o teste genético a partir de uma amostra da saliva, que simplificava enormemente o processo — e acabou sendo considerado a invenção do ano pela revista Time.

 

A executiva já foi casada com o cofundador do Google Sergey Brin (eles se separaram em 2015), tem dois filhos e paixão pela prática de esportes. Funcionários se acostumaram a vê-la chegar à sede da 23andMe, em Mountain View, na Califórnia, de bicicleta, vestindo bermuda de corrida e tênis surrados. Na 23andMe, a alusão à atividade esportiva está em toda parte. Há “mesas-esteira” no escritório e bicicletas na cafeteria. Anne costuma ignorar o elevador e subir de escada até seu escritório com paredes de vidro. Faz questão que seus funcionários vejam, no dia a dia, seu grau de motivação.

 

Se dados são hoje a principal fonte de poder, tornou-se difícil definir os limites da influência de Anne. Com mais de 11 milhões de exames genéticos vendidos, a 23andMe dispõe do maior banco de dados genômicos do mundo — e 80% dos que fizeram os exames concordaram em ceder seus dados para o desenvolvimento de medicamentos, diz Kaia Colban, analista de biotecnologia da empresa de dados financeiros Pitchbook. O mercado recebeu bem o plano da 23andMe de investir muito nos próximos anos e deixar a expectativa de lucro para depois de 2025. A evolução da medicina genômica requer foco — e ninguém quer ficar no caminho de Anne.

 

Fonte: Época Negócios

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