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Compra de Coronavac emperra e Butantan tenta doar 15 mi de doses

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O Instituto Butantan, responsável pela produção no Brasil da vacina Coronavac, está com 15 milhões de doses paradas na sua fábrica, na zona oeste de São Paulo. Os imunizantes, que seriam destinadas à campanha de vacinação contra a Covid-19, foram recusados pelo Ministério da Saúde e estão emperradas sem destino certo.

A decisão federal foi divulgada na noite da última segunda (6). O diretor do instituto, Dimas Covas, disse que ficou surpreso com a recusa do governo de Jair Bolsonaro (PL) de incorporar a quantia à campanha de vacinação atual e ao próximo ciclo.

Com isso, o instituto e a Sinovac, fabricante do imunizante na China, agora tentam negociar a doação das vacinas para outros países. As doses possuem validade até agosto de 2022.

Segundo Covas, o Butantan está em negociação com a Organização Pan-americana de Saúde, braço da OMS (Organização Mundial da Saúde) nas Américas, para inclusão dessas doses no consórcio Covax. ‘Muitos países da América Latina não conseguem arcar com os custos para adquirir essas doses via negociação comercial direta com o Butantan, por isso estamos pedindo à Sinovac [que permita] isso acontecer, fornecer as doses via Covax. Nós temos a liberdade de comercializar com outros países mas estamos com dificuldade para dar um destino a essas doses’, afirmou Covas na sede do Butantan nesta terça (7).

Ele disse ainda que, dada a situação pandêmica na África, tenta negociar também a doação de doses para países do continente. Recentemente, pesquisadores identificaram uma nova variante, a ômicron, a partir de sequenciamento feito na África do Sul.

A variante já foi identificada em mais de 20 países, inclusive no Brasil, e parece ter uma maior transmissibilidade em comparação com as demais cepas do vírus conhecidas até hoje.

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O Butantan forneceu via um acordo com o Ministério da Saúde 100 milhões de doses para o Plano Nacional de Imunização (PNI), cuja entrega se encerrou em setembro. No entanto, o laboratório paulista esperava um acordo de 30 milhões de doses adicionais com a pasta da Saúde.

Para Covas, os motivos de o Ministério da Saúde negar essas vacinas não estão claros e mudam a cada momento. ‘Uma hora eles dizem que é o problema da eficácia, outra hora é porque faltam estudos conclusivos de imunogenicidade, depois porque não tem registro definitivo. São desculpas’, disse.

A Coronavac esteve no centro da disputa entre o governador paulista, João Doria (PSDB) e Bolsonaro. O presidente fez diversos ataques ao imunizante, considerado pelo tucano um possível trunfo seu na eleição presidencial do ano que vem -na qual ambos devem ser candidatos.

As 15 milhões de doses que se encontram no instituto foram produzidas até outubro. Desde então, a produção da fábrica está parada. Segundo o diretor do instituto, esse montante não deve aumentar pois a produção só será retomada se houver demanda por doses.

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Em nota, a pasta da Saúde informou que o Instituto Butantan já cumpriu com a totalidade do contrato para a entrega de 100 milhões de doses da Coronavac. ‘Para 2022, o Ministério da Saúde contará com um saldo remanescente de 134 milhões de imunizantes de 2021, somada à aquisição de 100 milhões de doses da Pfizer e 120 milhões de AstraZeneca. Estas duas vacinas foram escolhidas [para o próximo ciclo de vacinação] por terem o registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a aprovação por parte da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)’, disse o texto.

A Coronavac é uma vacina de vírus inativado e foi a primeira usada no país. Sua eficácia encontrada em um ensaio clínico de fase 3 com mais de 12 mil profissionais da área de saúde apresentou 50,38% de proteção contra casos sintomáticos de Covid, 78% contra hospitalização e alta proteção contra mortes, embora esse resultado não tenha sido estatisticamente significativo.

Em estudos subsequentes de efetividade no Chile e em Serrana, no interior de São Paulo, a vacina apresentou proteção de mais de 86% contra hospitalizações, 93% contra casos graves e 96% contra óbito. O perfil de imunogenicidade da vacina, isto é, sua capacidade de formar anticorpos após a vacinação é elevado tanto em maiores de 60 anos quanto em pessoas de 18 a 59 anos.

Recentemente, dados de segurança e produção de anticorpos em crianças de 3 a 17 anos também foram divulgados pela empresa, que aguarda a aprovação da Anvisa para uso nessa faixa etária.

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‘A contribuição da Coronavac no combate à Covid-19 foi essencial, porque foi esta a vacina que enfrentou a pandemia no período mais dramático, que foi o início deste ano, salvando milhões de vidas’, afirmou Covas.

Zijie Zhang, diretor médico e porta-voz da empresa Sinovac no Brasil, disse que a Coronavac é a vacina mais usada no mundo, com cerca de 2 bilhões de doses distribuídas em diversos países.

Para ele, o governo brasileiro ampliou seu portfólio e deixou a Coronavac de lado, mas não descarta uma disputa política. ‘O que eu posso dizer é que o governo brasileiro comprou na metade de 2021 outras vacinas e esse é o principal motivo de optar para o uso de outras. Mas talvez tenham outros fatores, políticos, talvez outras questões que não sabemos dizer’, afirmou.

Fonte: Jornal de Brasilia

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