Um dos maiores eventos esportivos do planeta começa em 11 de junho, mas seus impactos já são percebidos em diversos setores da economia. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo brasileiro deverá faturar aproximadamente R$ 4,32 bilhões durante o período, valor 6,5% superior ao registrado na edição de 2022.
Embora o canal alimentar deva concentrar cerca de 70% das vendas, as farmácias também começam a colher resultados. Dados da Napp Solutions mostram que, em maio, os envelopes de figurinhas da Copa ocuparam a terceira posição entre os produtos mais vendidos via aplicativos como o iFood, ficando atrás apenas de soro fisiológico e composto lácteo.
“A forte presença do álbum e das figurinhas demonstra como oportunidades sazonais podem gerar vendas expressivas quando a farmácia está preparada e com estoque disponível”, afirma Murilo Cozar, head de Plataforma da Napp Solutions.
Vale lembrar que redes como a Farma Conde, a Pague Menos, a Drogal e a São João adotaram a estratégia e estão aproveitando a onda das figurinhas em suas lojas.
Farmácia ganha relevância como canal de conveniência
Para Fábio Chacon, diretor comercial da Farmarcas, a Copa tende a gerar impactos ainda maiores do que em edições anteriores, já que as farmácias ampliaram seu papel como canal de conveniência e proximidade.
“A principal oportunidade está em transformar a farmácia em um ponto de experiência para o consumidor. A Copa desperta emoção, engajamento e interação social, e o varejo precisa capturar esse sentimento”, avalia.
Segundo ele, os álbuns e as figurinhas lideram as oportunidades de vendas, impulsionados pelo desaparecimento gradual das bancas de jornal e pela ampla capilaridade das farmácias.
Chacon destaca ainda que cerca de 43% das vendas do canal já vêm de categorias não medicamentosas. “A Copa reforça essa tendência, ampliando as possibilidades de vendas complementares e de relacionamento com o consumidor”, afirma.
Mudança de comportamento impulsiona consumo
Para Fátima Merlin, CEO da Connect Shopper e especialista em gerenciamento de categorias, o principal impacto da Copa no varejo farmacêutico não está diretamente ligado aos jogos, mas às mudanças de comportamento do shopper.
“O consumidor muda rotina, horários, deslocamentos e estado emocional, e isso altera o consumo”, explica.
Segundo a especialista, o evento favorece cinco movimentos principais:
- aumento do fluxo e das compras de conveniência;
- crescimento do consumo imediato e de categorias adjacentes;
- maior incidência de compras por impulso;
- aumento da demanda por analgésicos, antiácidos, energéticos, vitaminas e produtos de hidratação;
- fortalecimento da farmácia como hub de saúde, conveniência e bem-estar.
Nesse cenário, ela recomenda que as farmácias criem missões temáticas, como “esquenta do jogo”, “torcida em casa”, “recuperação pós-jogo” e “kit viagem”, facilitando a exposição dos produtos e a comunicação com o cliente.
Venda cruzada pode ampliar resultados
Ter produtos em estoque não é suficiente para capturar as oportunidades do período. Segundo Fátima, é fundamental investir em pontos extras de exposição, especialmente no checkout, entrada da loja, geladeiras e áreas de conveniência.
A especialista também recomenda estratégias de venda cruzada, combinando produtos complementares, como isotônicos e energéticos, snacks e bebidas geladas, protetor solar e hidratantes, além de vitaminas e itens voltados à imunidade.
Outro destaque é o uso de Retail Media e CRM, com campanhas segmentadas, ações geolocalizadas, notificações via aplicativo e ofertas personalizadas.
Além disso, categorias como maquiagem temática, esmaltes, skincare pós-sol, protetor solar e produtos de higiene rápida também podem se beneficiar do aumento da circulação de consumidores.
Atenção às regras da FIFA
Apesar das oportunidades, as farmácias devem observar as regras de propriedade intelectual da FIFA. É permitido utilizar elementos genéricos relacionados ao futebol e às cores do Brasil, além de promover campanhas de ocasião.
Por outro lado, não é permitido utilizar a marca FIFA, mascotes, logotipos, identidade visual oficial ou produtos licenciados sem autorização.
Para Chacon, a Copa deve ser vista como uma oportunidade para fortalecer o relacionamento com os clientes, ampliar o fluxo nas lojas e impulsionar categorias estratégicas.
“O evento vai muito além do futebol. Ele movimenta hábitos de consumo, cria novas jornadas de compra e abre espaço para que as farmácias se consolidem como um dos principais canais de conveniência do país”, conclui.
