Cuidados com saúde mental ganham destaque nas empresas
Nova norma amplia responsabilidades sobre riscos psicossociais no trabalho
por Gabriel Noronha em
A saúde mental vem ganhando espaço nos debates da sociedade e, naturalmente, também no ambiente corporativo. Em meio a esse cenário, foi aprovada a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece a obrigatoriedade de identificação, avaliação e gestão formal dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho por parte das empresas.
Publicado pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), o texto amplia o escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) ao incorporar de forma explícita os riscos psicossociais. Entre eles estão o estresse ocupacional, a sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, assédio moral ou sexual, conflitos interpessoais, ausência de suporte organizacional e práticas de gestão inadequadas.
Dados do Ministério da Previdência Social indicam que a incidência de afastamentos por adoecimento mental aumentou 67% entre 2023 e 2024. Somente em 2024, mais de 440 mil funcionários e colaboradores pediram licença de suas atividades em decorrência de transtornos relacionados à saúde emocional, como ansiedade, depressão e síndrome de burnout.
O que a nova legislação sobre saúde mental muda na prática?
Com a nova norma, os fatores classificados como riscos psicossociais deixam de ser tratados apenas como questões comportamentais ou de clima organizacional e passam a integrar a lógica de prevenção de riscos ocupacionais. Na prática, as empresas deverão adotar medidas efetivas de antecipação, mitigação e monitoramento contínuo, com revisões periódicas e a manutenção de evidências documentadas.
“Agora, o olhar para a saúde mental deixa de ser apenas uma iniciativa voluntária ou pontual e passa a ser uma obrigação legal, integrada à gestão de riscos e à responsabilidade organizacional”, afirma Érika de Castro, gerente de recursos humanos da Group Software.
Tecnologia como aliada no monitoramento da saúde mental
O acompanhamento dessas condições, no entanto, pode ser mais desafiador para as equipes de RH por tratar de situações que são, de modo geral, subjetivas, diferentemente de riscos físicos ou ambientais.
Dessa forma, tecnologias capazes de estruturar processos de escuta contínua, coletar dados, monitorar indicadores e acompanhar as mudanças comportamentais têm relevância ampliada.
“A proposta é apoiar o RH e as lideranças na identificação precoce de sinais de risco, contribuindo para intervenções mais rápidas e para a promoção da saúde emocional no trabalho”, complementa a executiva.