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Da quase falência ao sucesso na gestão de farmácia

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Foto: Divulgação

Gestão de farmácia combina com persistência e jogo de cintura para lidar com as adversidades. Isso nunca faltou para Zeferino Ferreira, que comanda duas unidades da AC Farma em Santa Catarina. O 18º episódio da seção Minha História conta a trajetória do profissional que começou como balconista na adolescência, empreendeu e fracassou, mas nunca desistiu.

Balconista aos 12 anos de idade

Ferreira cresceu em Sombrio, pequena cidade catarinense com cerca de 30 mil habitantes. Aos 12 anos ele iniciou sua vida profissional tendo o balcão de uma farmácia como porta de entrada. Foram dez anos atuando como atendente na Farmácia Sombrio, até que veio o desejo de dar um passo a mais.

“No fim dos anos 90, decidi que era a hora de tentar a vida no Exterior e resolvi me mudar para os Estados Unidos”, relembra. O ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, no entanto, deu início a uma onda de medo no país, o que levou Ferreira a reconsiderar sua estada.

Farmácia de sucesso? Não foi bem assim

De volta ao Brasil, Ferreira tomou conhecimento de uma pequena farmácia que estava à venda em sua cidade natal, a Farmácia Santa Rita. Ele não titubeou. “Queria investir e minha vocação era trabalhar no setor. Achei que a compra seria um bom negócio, mas não foi bem assim”, analisa.

Adquirindo um empreendimento que já não ia bem das pernas, ele foi guiando o negócio empiricamente e centralizando em si todas as decisões. “Eu não entendia como devia gerir o negócio. Fazia aquilo que parecia correto e, por algum tempo, isso deu certo”, relembra. Só que a “maré de sorte” chegaria ao fim com a abertura de sua segunda loja.

Formado, mas em dificuldades financeiras e pessoais

Em 2007, o empreendedor decidiu que era hora de expandir seu negócio e abrir uma segunda unidade. Na mesma época, julgou ser o momento certo para entrar na faculdade e se tornar um farmacêutico. “Hoje questiono essa decisão. Penso que deveria ter feito algo mais voltado à gestão. Conseguimos encontrar ótimos farmacêuticos no mercado, mas não se pode dizer o mesmo de gestores”, lamenta.

Essa falta de conhecimento custou caro. “O negócio dava certo, na medida do possível e comigo à frente. Quando deleguei mais tarefas, sem conhecimentos sobre gerenciamento de pessoas, a operação saiu dos trilhos”, comenta. Em 2011, quando terminou o ensino superior, sua realidade era bem diferente da de quatro anos atrás.

“Ao fim da faculdade, das duas farmácias que eu tinha, sobrou apenas uma e que estava quebrada. Até mesmo meu casamento acabou na época. Quando se entra nessa espiral, cria-se uma bola de neve que consome sua vida pessoal e profissional”, acredita.

Distribuição foi pedra de salvação

Durante os tempos de dificuldade, Ferreira destaca dois pontos vitais para impedir sua falência – o acesso a crédito e o apoio das distribuidoras. “Cheguei a obter um empréstimo no banco com representantes do Grupo SantaCruz ao meu lado. Queria pagá-los no ato, pois sei da importância do atacado farmacêutico para o varejo”, ressalta.

Mesmo assim, as faturas em atraso continuavam a acumular. “Eu brinco que tinha duas pilhas de boletos – aqueles que estavam atrasados e os que escolheria pagar após um sorteio. Quando um credor não tinha paciência, eu ameaçava colocar a dívida na pilha da sorte”, destaca.

“Como tínhamos venda, conseguíamos ter caixa e ir pagando os empréstimos. Além disso, falo com tranquilidade. Se a distribuição vai mal, toda a cadeia padece. Sem eles, não sei o que seria do mercado”, completa. E foi assim, na base de empréstimos bancários, fluxo de caixa e jogo de cintura, que Ferreira reergueu gradualmente seu negócio.

Em águas mais calmas, surge o associativismo

Em 2012, Ferreira conheceu Valdenir Montanha, que liderava a rede associativista AC Farma. Apesar de interessado no formato, o empreendedor não estava pronto para a mudança. “Desde que conheci a AC Farma, me identifiquei com o modelo de negócio. Mas, é claro, eu precisava adaptar minha loja e, recém recuperado da crise, não tinha condições financeiras”, afirma.

Foi apenas dois anos depois, em 2014, que ele finalmente entrou para a associação. Com uma visão mais apurada do mercado, mas ainda agindo muito pelo coração, o gestor colocou a casa em ordem e passou a ajudar Montanha na administração do grupo.

Foi lá, inclusive, que o empreendedor conheceu sua atual esposa Aline Ghisleri. Além de ajudar na gestão das farmácias, ela também é um dos braços fortes na condução das rotinas da AC Farma.

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Foto: Divulgação: Zeferino Ferreira conta com a ajuda da Aline Ghisleri, companheira de vida e de negócios

Empreendedor ficou receoso com a entrada na Farmarcas

Ferreira atuava como uma espécie de conselheiro de Montanha, mas reconhece que foi melhor ele não ter escutado algumas de suas recomendações. Em 2015, a AC Farma iniciou uma aproximação com a Farmarcas pensando em uma eventual incorporação à administradora.

Os dois empreendedores foram a São Paulo conhecer a operação, mas a trajetória calejada de Ferreira o tornou cético. “Falei para o Montanha que a Farmarcas era boa demais para ser verdade. Ainda bem que ele não me ouviu!”, conta. “A Farmarcas foi uma grande virada de chave tanto para mim como gestor, como para a AC Farma como associação”, acrescenta.

Duas lojas e crescendo

Como parte da Farmarcas, Ferreira profissionalizou sua gestão, distanciou-se do balcão e colheu os frutos da adesão ao grupo. Em 2019, ele abriu uma loja em Balneário Gaivota (SC), cidade vizinha, e já planeja a abertura da terceira unidade.

“Falei para Farmarcas que queria aumentar minha loja na cidade. Eles estudaram o mercado e me orientaram a abrir outra unidade em vez de ampliar a já existente. Em outubro abrimos as portas”, comemora. Com o novo PDV, o empreendedor quer chegar a R$ 1 milhão de faturamento mensal, dobrando as vendas atuais. Para os próximos cinco anos, seus objetivos são consolidar sua atuação e aumentar seu market share em ambas as cidades.

“Não fosse a Farmacas, não sei onde estaria. Se crescemos, é porque temos acesso gratuito às mesmas ferramentas que norteiam a expansão das grandes redes de farmácias. Todos os movimentos são guiados por dados, o que nos dá a certeza do sucesso”, finaliza.

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