EMS firma parceria internacional com foco em doenças raras
Farmacêutica passa a ter acesso a plataforma de biotech norte-americana
por Gabriel Noronha em
A EMS anunciou uma parceria com a biotech norte-americana miRecule, especializada em terapias baseadas em RNA. A união, conduzida pelo Rio Pharmaceuticals, braço internacional da farmacêutica brasileira, tem como objetivo o desenvolvimento de terapias disruptivas.
Com foco inicial em doenças raras e condições para as quais não existem opções de tratamento eficazes, o movimento se conecta aos investimentos recentes de mais de R$ 1,2 bilhão da EMS em plataformas de alta complexidade.
Entre elas está a produção de peptídeos, como os análogos de GLP-1, reforçando a estratégia de internalização tecnológica e avanço em terapias inovadoras.
No Brasil, a execução industrial dessa estratégia passa pela fábrica de peptídeos da EMS, localizada em Hortolândia (SP). A unidade, única do tipo no país, foi inaugurada em 2024 e tem capacidade produtiva de até 20 milhões de unidades de medicamentos por ano.
EMS garante acesso a abordagem diferenciada
Com o acordo, a EMS passa a ter acesso à plataforma NAVIgGator™, da miRecule, que se diferencia das abordagens tradicionais por ter como alvo o RNA mensageiro.
A tecnologia bloqueia a produção de proteínas associadas às doenças e permite uma intervenção mais precisa na origem genética dessas condições.
“Não se trata apenas de investir ou trazer uma tecnologia pronta. Estamos construindo junto. Participamos do desenvolvimento, do desenho das moléculas e da produção. É uma colaboração científica estruturada, com geração conjunta de conhecimento”, explica Daniel E. Salazar, vice-presidente técnico-científico da EMS e CEO da Rio Biopharmaceuticals.
A colaboração envolve uma nova geração de tratamentos que visa não apenas controlar os sintomas, mas também alterar o curso das doenças. O acordo abre caminho para a condução de estudos no Brasil, incluindo ensaios em fase inicial em humanos, o que pode acelerar o desenvolvimento clínico com maior eficiência operacional e competitividade.
“Estamos entrando em uma nova fase da medicina, em que é possível atuar diretamente nos mecanismos do corpo humano. Os oligonucleotídeos permitem modular proteínas associadas às doenças, o que representa um salto relevante na forma de tratar os pacientes”, acrescenta o executivo.