Falsificação de medicamentos desestimula inovação, afirma diretora da Interfarma
Riscos à saúde e prejuízos financeiros também estão relacionados ao fenômeno
por Gabriel Noronha em
Durante o debate “Propriedade Intelectual na Agenda Pública: O que está em jogo para a Saúde?”, a diretora de política e inteligência regulatória da Interfarma, Luciana Shmizu Takara, abordou os impactos da falsificação de medicamentos para o setor. As informações são do Correio Braziliense.
Além dos riscos à saúde dos pacientes, que acabam consumindo produtos de procedência duvidosa, a executiva citou impactos negativos sobre os investimentos em inovação no país.
“De acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação, o rombo relativo à falsificação não só de medicamentos, mas de qualquer tipo de produto, foi de R$ 471 bilhões em 2024. Esse cenário impacta diretamente nos investimentos em inovação”, afirma.
Ainda segundo Luciana, práticas como a importação paralela de medicamentos também impactam diretamente o acesso e a segurança dos tratamentos, especialmente no caso de produtos não disponíveis no país.
“O mecanismo (importação paralela) deve ser aplicado apenas em cenários específicos, com o objetivo de preservar a propriedade intelectual e reduzir riscos ao paciente”, acrescenta.
Índices de falsificação de medicamentos dispararam no Brasil
Ao analisar o cenário atual, a diretora relembrou levantamentos da OMS publicados anos atrás, que apontavam baixa incidência de falsificação no Brasil. Desde a pandemia, no entanto, esse quadro mudou:
“Durante a pandemia houve avanço preocupante, que agora se tornou alarmante com a circulação de canetas emagrecedoras falsificadas”, detalha a diretora. “É necessário fortalecer medidas legais para coibir a venda de produtos falsificados e ampliar a proteção à população”, finaliza.