Farmacêuticas se preparam para corrida por genérico do Ozempic
Patente do blockbuster da Novo Nordisk acaba no dia 20 de março
por César Ferro em
As farmacêuticas já tomam posição e se preparam para a largada da corrida por um genérico do Ozempic. A patente do medicamento à base de semaglutida da Novo Nordisk se encerra no dia 20 de março. As informações são da Times Brasil.
Em 2023, o análogo de GLP-1 – um dos mais famosos da categoria – registrou R$ 3,1 bilhões em vendas, o maior faturamento anual já alcançado por um remédio no país. Com o fim da exclusividade, os laboratórios nacionais buscam uma fatia deste mercado.
O setor de canetas injetáveis para o controle metabólico movimenta aproximadamente R$ 11 bilhões anualmente. Com a oferta de genéricos, especialistas estimam que esse montante quase dobrará já neste ano, alcançando R$ 20 bilhões.
Por que o genérico do Ozempic chega mais cedo ao Brasil?
No Brasil, a exclusividade de mercado tem uma duração máxima de 20 anos. Apesar do Ozempic só ter sido aprovado no país em 2018, sua patente foi depositada mais de uma década antes, em 2006.
Até 2021, havia uma regra que permitia a prorrogação automática por atrasos do INPI, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou essa regulamentação, definindo, assim, duas décadas como prazo máximo. A Novo Nordisk tentou estender a proteção até 2038, mas teve seu pedido negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A patente do Ozempic está entre as principais a expirar a partir de 2026. Neste domingo, dia 4, o Panorama Farmacêutico elencou um grupo bilionário de medicamentos que dará espaço para versões genéricas e similares até 2029.
Farmacêuticas nacionais se movimentam
Uma das primeiras farmacêuticas nacionais a se movimentar foi a EMS. O laboratório investiu mais de R$ 1 bilhão em sua planta de Hortolândia (SP) para produzir a semaglutida. Com o medicamento, a companhia projeta faturar US$ 4 bilhões (cerca de R$ 21,7 bilhões) no médio prazo, entre vendas no Brasil e no exterior.
A Cimed também promete levar a “canetinha amarela” para as farmácias assim que encerrada a exclusividade. A empresa projeta 150 novos produtos nos próximos cinco anos, investindo R$ 2 bilhões para chegar a R$ 10 bilhões de receita até o fim da década.
Outros destaques incluem a Hypera (que busca registro junto à Anvisa), Biomm (acordo fechado com a indiana Biocon) e Nexus (que investe R$ 60 milhões para instalar uma fábrica em Sorocaba (SP)).
Quem resolveu pegar um “atalho” foi a Eurofarma. A farmacêutica brasileira firmou uma parceria com a Novo Nordisk para distribuir e promover novas marcas de semaglutida biológica no Brasil.
Genéricos devem ampliar acesso
Os genéricos já estão amplamente difundidos no Brasil. A categoria ocupa 15 das 20 posições entre os medicamentos mais vendidos no país e, em 2024, movimentou R$ 20,4 bilhões.
Caracterizados por preços mais baixos, esses remédios são considerados verdadeiros democratizadores de acesso a tratamentos. Atualmente, cerca de 1 milhão de caixas de semaglutida são consumidas mensalmente no Brasil, mas apenas 2,5% dos adultos obesos do país têm acesso a esse tratamento. Com o fim da patente, a expectativa é que mais pacientes possam usufruir do fármaco.