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‘Festas de Réveillon e carnaval deveriam ser proibidas’, diz ex-presidente da Anvisa

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Anvisa – O médico Gonzalo Vecina é ex-presidente Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já foi secretário de Saúde da cidade de São Paulo e tem grande experiência em sua área de atuação. Também é enorme sua preocupação com a ideia cada vez mais fixa de alguns governantes de começar a liberar geral, à medida em que a vacinação avança. Gonzalo acredita que somente quando o mundo todo estiver imunizado a coisa vai começar a melhorar. E teme principalmente que o surgimento de uma variante resistente às vacinas possa colocar a perder todo o esforço que tem sido feito até agora. Sonhar com uma normalidade que ainda não existe pode ser o caminho mais rápido para que o pesadelo da pandemia de Covid fique ainda maior.(leia mais abaixo)

Como o senhor recebeu o discurso do presidente Bolsonaro na ONU?

Praticamente um desastre, um soco no estômago. Eu acho que deveria ter algum tipo de crime ligado a isso. O mandatário eleito, representante oficial dos brasileiros, ficar a falar 12 minutos de mentiras para o mundo inteiro. Teria que haver algum tipo de punição.(leia mais abaixo)

É boa a atuação da Anvisa nesta pandemia?

Inacreditavelmente, a Anvisa tem conseguido ficar de fora do Bolsonarismo. E apesar de ter um contra-almirante (Antonio Barra Torres) como presidente, esse contra-almirante está se prendendo mais ao fato que ele tem diploma de médico do que que tem um cargo de contra-almirante. Ele está respeitando a saúde pública e fazendo com que a agência ande no bom caminho. Até agora não houve, na minha opinião, nenhum desvio da Anvisa com vistas a fazer qualquer tipo de agrado ao bolsonarismo. Pelo contrário. A Anvisa está tendo uma atuação absolutamente irretocável.(leia mais abaixo)

Em novembro de 2020, o senhor disse que quem quisesse ter Natal neste 2021 não deveria ir a festas no ano passado. Qual sua opinião em relação a reuniões familiares este ano?

É quase igual. Porque nós melhoramos, mas não o suficiente. Eu acredito que pessoas vacinadas poderão se reunir. Mas seria importante que as pessoas já vacinadas se estiverem convivendo com pessoas não vacinadas tome alguns cuidados nos últimos dias antes da festa. Pelo menos cinco dias antes da festa. Vamos supor que você tem uma família de pessoas vacinadas. Só que um casal da família tem filhos não vacinados. Nos últimos cinco dias da festa, o relacionamento com os filhos não vacinados deve ser mais cuidadoso, e sempre usando máscara. E os filhos não vacinados não podem ir na festa de Natal. Esse é o problema.(leia mais abaixo)

Como o senhor vê os anúncios de realização de festas de réveillon?

Festa de réveillon não pode ser realizada. Uma coisa é você fazer um evento num lugar controlado. Mas sem controle… Festa de carnaval, festa de réveillon, eu acho que deveria ser proibida, porque há possibilidade da explosão do número de casos. Qualquer festa que você não possa controlar quem vai participar da festa com a comprovação da vacina, acho que não deverá ocorrer.(leia mais abaixo)

Não haverá cobertura vacinal até o carnaval?

Nem pro carnaval. E não é só cobertura vacinal. É a circulação do vírus. Nós vamos ter casos no período que vai haver o carnaval com ou sem festas. Até o carnaval não vamos estar com a população vacinada.(leia mais abaixo)

E a volta gradual do público aos estádios. Qual sua opinião?

Eu acho que é arriscada, mas quem entra no campo é gente vacinada. Quem trabalha é gente vacinada. Você reduz um pouco o risco. É o que está acontecendo na Europa hoje. As pessoas estão indo ao campo de futebol, mas têm que ir com o certificado, com o passaporte da vacina. Acho que alguma coisa a gente tem que abrir nessa panela de pressão, senão explode.(leia mais abaixo)

Há um fim à vista para essa pandemia?

Acho que nós vamos passar o ano que vem inteiro discutindo reforço, terceira dose. O reforço é porque tem gente que perde a produção de anticorpos, principalmente os velhos. É importante que todos recebam reforço o mais rápido possível. E a terceira dose (para os outros) é importante porque passado um tempo, a produção de anticorpos, e a gente está aprendendo isso com todas as vacinas, é menor. Os países mais adiantados no combate à pandemia estão começando a aplicar a terceira dose e já falando numa quarta dose. O ano que vem não vai ser tão ruim quanto este ano, não vamos ter três mil mortes por dia, mas nós vamos continuar tendo casos, mortes. E o maior problema: nós vamos continuar tendo variantes. E o maior temor da variante é ela ter resistência à vacina. Se isso acontecer, vai ser um desastre. Enquanto o vírus está circulando, está produzindo variantes. E não estamos falando só do Brasil. Estamos falando do mundo. Enquanto a África não estiver vacinada, vamos ter produção de variantes lá. E se aparecer uma variante resistente à vacina na África, quanto tempo demora pra chegar no Brasil? Uma semana, cinco dias? É a distância de um voo. Não tem muita saída. Enquanto o mundo não estiver vacinado, o risco do mundo será grande.

Fonte: Campos 24 Horas

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