Gestão de ativos fora do radar pode reduzir custos e preservar margens
Acompanhamento ineficaz aumenta o risco de perdas patrimoniais
por Gabriel Noronha em
Embora grande parte das empresas esteja focada na aquisição de novos recursos, o acompanhamento dos investimentos já realizados é uma atividade muitas vezes ignorada e que pode gerar resultados igualmente relevantes.
Ativos como equipamentos, mobiliário, tecnologia, veículos e infraestrutura representam recursos financeiros empenhados que podem impactar os resultados da empresa caso mal geridos.
Quando não são acompanhados com rigor, esses itens deixam de ser apenas ativos registrados no balanço e passam a representar capital vulnerável, exposto a desperdícios, perdas e distorções contábeis. Esse cenário se manifesta de forma silenciosa ao reduzir margens, comprometer indicadores financeiros e ampliar riscos operacionais.
“Ativo é dinheiro investido. Se não há controle, há desperdício, e desperdício compromete resultado”, explica Rafael Tavares, diretor administrativo da Farmarcas e da Febrafar.
Perda de ativos representa problema crônico
A questão é tão relevante no mundo corporativo que um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 54% das empresas já sofreram roubo ou furto de patrimônio nos últimos 12 meses. Essas ocorrências foram registradas tanto no interior das instalações como durante o transporte de mercadorias, evidenciando que a perda de ativos é um risco constante.
Outras pesquisas internacionais revelaram que a fraude relacionada à apropriação indevida de ativos é responsável por prejuízos significativos em diversos setores. “Quando não existe rastreabilidade, a empresa perde visibilidade, estando muito mais sujeita a furto interno, extravio ou simplesmente perda por desorganização. E, muitas vezes, isso só aparece em auditorias quando já não há tempo hábil para reverter o prejuízo”, acrescenta o executivo.
Controle de ativos é gestão financeira
Ainda segundo Tavares, o Edifício do Associativismo, sede da Farmarcas, é um exemplo de gestão adequada dos ativos. Com a implementação de um sistema de rastreamento, 5 mil itens, ou aproximadamente R$ 15 milhões em patrimônio, passaram a ser acompanhados com precisão.
Essa digitalização permitiu uma maior confiabilidade nos dados financeiros, além de uma redução de 85% no tempo de inventário ao eliminar processos manuais extensos e sujeitos a erros humanos. “Controle patrimonial não é papel burocrático. É proteção de patrimônio e estratégia financeira”, reforça.