Mounjaro é o novo medicamento mais vendido do mundo
Terapia à base de tirzepatida da Eli Lilly superou o Keytruda, pembrolizumabe da MSD
por César Ferro em e atualizado em
Temos um novo medicamento mais vendido do mundo! Depois de anos na liderança, o Keytruda (pembrolizumabe da MSD) foi superado pelo Mounjaro (tirzepatida da Eli Lilly). As informações são do Bloomberg Línea.
No primeiro trimestre de 2026, o análogo de GLP-1 gerou US$ 8,7 bilhões (cerca de R$ 42,6 bilhões) em vendas para a farmacêutica norte-americana. Já a imunoterapia rendeu US$ 7,9 bilhões (R$ 38,6 bilhões) ao laboratório conterrâneo.
Indicado para o tratamento de mais de 18 tipos de tumores, o medicamento liderava as vendas desde o primeiro trimestre de 2023. Anteriormente, a dianteira era ocupada pelo Humira (adalimumabe da AbbVie).
‘Irmão’ do medicamento mais vendido do mundo também se destaca
O Mounjaro não é o único remédio à base de tirzepatida no portfólio da Lilly. A farmacêutica também comercializa o Zepbound, indicado para a perda de peso. Somadas, as vendas dos dois fármacos evidenciam a força do princípio ativo no mercado. Em 2025, as terapias movimentaram US$ 36,5 bilhões (R$ 178,7 bilhões), acima dos US$ 31,6 bilhões (R$ 154,7 bilhões) registrados pelo Keytruda.
Mercado mais amplo favorece a Lilly
Para Evan Seigerman, diretor-gerente da BMO Capital Markets, a mudança de paradigma não surpreende. Segundo ele, o mercado mais amplo atendido pelos análogos de GLP-1 compensa a diferença de precificação em relação à imunoterapia.
“O Keytruda foi revolucionário ao prolongar a vida de pacientes, e seu preço foi definido em consonância com esse valor. Já a tirzepatida oferece opções de menor custo que atendem milhões de pessoas com diabetes ou obesidade”, analisa.
Mounjaro impulsiona resultados da farmacêutica
Além de se tornar o medicamento mais vendido do mundo, o Mounjaro se consolidou como uma importante alavanca de crescimento para a farmacêutica. Segundo a Close-Up International, o laboratório registrou forte expansão nos últimos 12 meses até março deste ano.
No mesmo período anterior a companhia teve faturamento de R$ 811,3 milhões, o que a colocava apenas entre as 70 maiores do segmento. Em um ano, esse montante avançou 819,17%, alcançando R$ 7,4 bilhões e posicionando a empresa no top 10 do setor.
“O medicamento revelou-se mais eficaz em relação à concorrência, com menor efeito colateral. E a Lilly, um laboratório de porte médio até então, soube aproveitar a crescente preocupação global com a obesidade para ingressar no top 10 da indústria”, ressalta André Reis, consultor e CEO da Repfarma.
O medicamento já é o mais vendido do país, com R$ 6,6 bilhões e 3,09% de participação no mercado geral. Ele superou concorrentes como Ozempic (R$ 1,2 bilhão, queda de 54%) e também remédios tradicionais, como a tadalafila genérica da Eurofarma (R$ 6 bilhões, alta de 37,85%).
Na visão do consultor independente Paulo Paiva, o mercado de GLP-1 transformou por completo a dinâmica do canal farma. “Tradicionalmente o setor apresentava avanços contínuos, mas em ritmo moderado. E esses fármacos ainda têm potencial de expansão ainda maior à medida que as patentes expirarem e abrirem espaço para versões genéricas, o que já acontecerá com o Ozempic”, comenta.