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Mulheres com deficiência são invisibilizadas no mercado da beleza

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No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado na última sexta-feira (03/12), a acessibilidade voltou a ser uma discussão. Assunto recorrente quando a pauta é a PCD, a exclusão, diferentemente do que muitos pensam, também acontece em momentos simples do dia a dia, como abrir uma embalagem de shampoo ou passar um rímel.

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Com dificuldade de encontrar produtos acessíveis no mercado, pessoas com deficiência se sentem invisíveis quando o assunto é vaidade

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Além de leis e políticas públicas que possibilitem uma equidade no acesso a empregos, nas escolas e universidades, essas pessoas reclamam da exclusão em situações cotidianas, como passar um rímel. ‘Eu deixo de comprar um produto só por causa da embalagem, principalmente se eu precisar abrir todo dia’, conta Keila dos Santos, que apresenta uma dificuldade motora no braço e na mão direita. ‘Se o produto pedir por um movimento de pinça, ele não serve para mim’, contou ao Metrópoles.

Diferente até nas diferenças

A bacharel em direito Jennifer Nogueira ainda aponta para um outro problema. ‘As pessoas não entendem todas as deficiências como deficiência. Por exemplo, a preocupação da maioria é com rampas e o uso do braile, não que isso não seja importante. É e muito, mas e as outras pessoas?’, questiona. Ela tem, nos dois braços, uma deficiência denominada Mão Torta Radial Congênita (MTRC).

As dificuldades são diversas para quem tem deficiência nos braços ou nas mãos

De acordo com ela, grande parcela das pessoas com deficiência não são assistidas quando o assunto é visibilidade ou, até mesmo, vaidade. ‘É muito raro vermos produtos ou empresas preocupadas com quem não tem um braço ou a mão, por exemplo. A gente é diferente até nas nossas diferenças e é preciso pensar em formas de englobar tudo isso.’

‘As pessoas acreditam que, só por termos uma deficiência, não podemos ser vaidosas, que não namoramos ou que não queremos andar ‘na moda’? Tudo isso nos é tirado de maneira sutil quando não somos incluído nesse público.’

Apaixonada por maquiagem, Nogueira conta que dá um jeito para tudo. ‘Como meus braços são mais curtos, às vezes preciso de pincéis mais compridos para conseguir alcançar meu rosto – produto que nunca acho no mercado ou lojas de cosméticos. Para fazer dar certo, costumo emendar lápis ou juntar vários cabos em um só pincel para conseguir o tamanho necessário’, disse.

Mercado ignorado

De acordo com senso realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 8,4% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, número que representa 17,3 milhões de pessoas. Desses, 2,7% têm deficiência física nos membros superiores e 3,4% deficiência visual.

Palestrante e colaboradora da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Maristela Mendes alerta para um grande mercado a ser explorado pelas empresas de cosméticos. ‘Se for pensar na quantidade de deficientes que temos no Brasil e em quanto eles deixam de comprar por não existirem produtos acessíveis, as empresas estão perdendo um grande negócio’, defende.

Maristela Mendes tem baixa visão desde os 7 anos

Desde os 7 anos, Mendes sofre de baixa visão e, hoje, consegue enxergar menos de 20%. A situação também a deixa sem muitos recursos quando o assunto é se maquiar. ‘Tenho muitos problemas, principalmente quando a maquiagem é em pó’, exemplifica.

Maristela também alerta sobre a falta de recursos de identificação para os produtos. ‘Já passei um batom supervermelho achando que era um nude porque eles tinham as embalagens iguais’, relatou. De acordo com ela, muitos itens possuem caixas com conteúdo acessível, mas não a embalagem em si.

‘A gente até acha caixas inclusivas, com algumas informações em braile, mas ninguém anda com a caixa do produto na nécessaire. O ideal seria que a embalagem fosse tão informativa quanto, principalmente no que diz respeito a cor, modo de usar e data de validade.’

Representatividade

Apesar de existir uma melhora cada vez mais significativa no que diz respeito à inclusão, as mulheres com deficiência ainda não se sente representadas no mercado. ‘A gente não vê pessoas como a gente nas propagandas, nos comerciais e nem vestindo as roupas ou usando as maquiagens que a gente quer comprar’, conta Jennifer.

Essa falta de representatividade, para ela, faz a pessoa com deficiência passar por um longo processo de aceitação. ‘Essa é a parte mais difícil para uma PCD, a autoaceitação. Por muito tempo, eu quis me esconder. Para todo lugar que eu ia, minha deficiência chamava atenção’, disse.

A bacharel em direito ainda relembra que, quando mais nova, usava algumas estratégias para desviar essa atenção: ‘Eu tentava descontar na roupa ou na maquiagem, usar peças mais chamativas para que eu pudesse chamar atenção, não os meus braços.’

Para ela, é importante que pessoas com deficiência sejam vozes de outras pessoas nas redes sociais. ‘Quando aparecem influencers com deficiência no Instagram, eu me sinto representada. Principalmente quando elas falam da deficiência de uma forma leve’, ressalta Jennifer.

Com mais de 323 mil seguidores nas redes sociais, a influencer Mariana Torquato é a responsável pelo maior canal sobre deficie?ncia do Brasil. Com diversos vídeos para relatar situações do dia a dia, ela usa o canal no YouTube para interagir com seu público e para levar informações sobre sua deficiência.

Veja, abaixo, um vídeo em que ela mostra como amarra o próprio cabelo.

Outra referência é a influencer Lorrane Silva, também conhecida como Pequena Lo. A jovem ficou famosa com seus vídeos de humor. Lorrane tem os membros curtos devido a uma síndrome que até hoje não foi identificada e, apenas em sua página no Instagram, já reúne 4,1 milhões de seguidores.

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Fonte: Portal Metrópoles Online

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