Novo Nordisk avalia retomada da oferta de insulina ao SUS
Possível contrato pode chegar a R$ 1,5 bilhão
por Gabriel Noronha em
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, estuda retomar o fornecimento de insulina humana ao SUS. O movimento ocorre em um cenário em que o Ministério da Saúde, diante de desabastecimento, prepara uma licitação para a compra do fármaco. As informações são da Folha de S. Paulo.
A companhia e a pasta já operam em parceria há alguns anos, mas o volume de entregas para a rede pública tem diminuído em decorrência de uma mudança em seu portfólio, hoje mais focado na produção de canetas emagrecedoras.
Essa alteração teve forte impacto na oferta de insulina da rede pública e do programa Farmácia Popular. O SUS enfrenta ciclos de desabastecimento ao menos desde 2023 e, em uma tentativa de contornar o problema, passou a comprar medicamentos sem registro da Anvisa, importados da China.
A compra sem registro, porém, levanta críticas da indústria nacional e questionamentos de sociedades médicas sobre a qualidade dos produtos.
Novo Nordisk prepara oferta ao Ministério da Saúde
A farmacêutica planeja vender entre 100 milhões e 125 milhões de canetas de insulina de julho de 2026 a março de 2028, caso as partes cheguem a um acordo até o final de maio.
Os fármacos seriam produzidos na fábrica da empresa em Montes Claros (MG), e teriam custo estimado de R$ 1,5 bilhão, considerando os últimos valores disponíveis em contratos públicos.
Caso não haja um acordo, no entanto, a Novo Nordisk afirma que vai oficializar a interrupção da fabricação do fármaco no final do ano, como já anunciado.
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que a licitação de insulinas está prevista para os próximos meses e que “não cabe, portanto, falar em instrumentos de pressão diante de um processo regular que obedece a critérios técnicos e de menor preço.”