Os caminhos para a liderança eficaz com crescimento sustentável
Saiba quais são os desafios, os erros mais comuns e as estratégias para quem conduz as decisões no varejo farmacêutico
por Ana Claudia Nagao em
Em um mercado pautado por margens apertadas e alta concorrência, o varejo farmacêutico enfrenta desafios que vão muito além da gestão de estoques e do cumprimento de normas sanitárias.
Para um segmento formado majoritariamente por pequenos e médios empreendimentos, uma liderança eficaz surge como diferencial estratégico capaz de determinar a sobrevivência e o crescimento dos negócios. “Mais do que comandar equipes, ser líder no varejo farmacêutico significa inspirar pessoas, equilibrar resultados com cuidado ao cliente e adaptar-se rapidamente às constantes transformações setoriais”, define Paulo Costa, fundador da Éden Grupo e que integra o time da seção Os Especialistas do Panorama Farmacêutico.
Com uma trajetória que começou desde posições operacionais até chegar à direção estratégica de grupos do setor, Costa utilizou sua experiência prática para compreender o que, de fato, separa líderes de sucesso daqueles que ficam estagnados. Segundo ele, o momento atual demanda gestores capazes de pensar além das rotinas operacionais e assumir um papel orientado por dados e pela capacidade de gerir pessoas.
Como sair da operação para uma liderança eficaz
Um dos pontos centrais abordados por Costa é a transição do gestor operacional para um líder de verdade, ou seja, aquele que não está preso a tarefas do dia a dia, mas que inspira sua equipe a alcançar resultados consistentes. “Essa evolução é particularmente desafiadora no varejo farmacêutico, onde muitos proprietários ainda acumulam funções e não conseguem delegar com eficiência”, alerta.
Costa afirma que, embora seja comum ver donos-gestores focados em operações como compras, finanças e controle de estoque, isso pode se tornar um obstáculo ao crescimento quando o comandante não desenvolve competências humanas e estratégicas. “Habilidades emocionais, como comunicação e inteligência relacional, são tão importantes quanto as técnicas para o sucesso de uma equipe”, avalia o especialista.
Erros que emperram o crescimento
Apesar do potencial de crescimento do varejo farmacêutico, muitos negócios ainda esbarram em erros de gestão. Entre os principais obstáculos estão a centralização extrema das decisões, a falta de clareza nos papéis dos colaboradores e a promoção de técnicos à liderança sem preparo adequado. Além disso, decisões frequentemente são tomadas de forma intuitiva, em vez de se basearem em dados e indicadores de desempenho, limitando a capacidade de planejar estratégias e acompanhar resultados.
Para Costa, superar esses desafios impõe uma cultura de aprendizado e adaptação contínua, bem como a disposição de implementar processos que tragam mais previsibilidade aos resultados.
O papel dos dados e da tomada de decisão
Outro aspecto é a importância de utilizar dados reais para orientar decisões, e não apenas confiar na experiência ou no “feeling” do gestor. “Em um mercado onde redes de farmácias de grande porte ampliam sua participação e geram pressões competitivas externas, a capacidade de interpretar métricas e responder rapidamente às tendências representa um diferencial”, ressalta Costa.
O especialista defende, inclusive, a adoção de sistemas que permitam acompanhar indicadores chave de desempenho (KPIs) e o uso de tecnologia para apoiar os colaboradores no cumprimento de metas e na eficiência operacional.
Líder se forma em casa
Costa também alerta para a importância de formar líderes dentro das próprias organizações, identificando talentos e oferecendo caminhos para que assumam posições de maior responsabilidade. “A capacidade de integrar tecnologia e visão de longo prazo, sem sacrificar a excelência no atendimento ao cliente, será um dos grandes diferenciais das empresas vencedoras no varejo farmacêutico nos próximos anos”, finaliza.