Produtividade e tecnologia devem redefinir o mercado com o fim da escala 6×1
Redução da carga horária pressiona margens e impulsiona transformação tecnológica no varejo
por Gabriel Noronha em
Enquanto o país discute o eventual fim da escala 6×1, os players do canal farma apresentam reações distintas à medida. Muitos farmacêuticos e balconistas celebram a redução da jornada, enquanto gestores e proprietários de farmácias temem impactos nas contas e na organização dos PDVs.
Mas assim como em todo período de transição, surgem oportunidades para quem estiver preparado para aproveitá-las. Nesse contexto, Giuseppe Picolli, integrante do time de Especialistas do Panorama Farmacêutico, enxerga um ponto de transformação na operação das varejistas.
De acordo com o executivo, que lidera a Ponti e Futuro e a entrada da Riedl Easy Phasys no Brasil, o mundo corporativo, e mais especificamente o setor varejista farmacêutico, está diante de um momento histórico.
Aproveitando o clima de Copa, Picolli recorre ao futebol para projetar os próximos passos do setor. Na sua visão, a mudança na legislação representa o “apito inicial” de uma disputa em que a produtividade será determinante, já que o tempo de trabalho tende a ser reduzido e ganharão espaço aqueles que conseguirem elevar a qualidade das horas disponíveis.
“A produtividade não é sobre fazer mais coisas, mas sobre fazer as coisas certas, de forma inteligente, utilizando as ferramentas que o século XXI nos oferece”, explica.
Automação entra em campo para impulsionar a produtividade
Detalhando essa ideia, o profissional afirma que, para se destacar nesse cenário de transição, as farmácias precisarão de “um craque que não se cansa, não erra e opera com precisão matemática” – a automação.[/grifar
Em uma análise mais técnica, Picolli revela que, de acordo com dados da Riedl, farmácias com ferramentas adequadas de automação realizam tarefas como conferir mercadorias e gerir espaços de armazenamento de forma até 75% mais eficiente.
Além disso, a tecnologia reduz drasticamente o tempo de atendimento, aumenta a agilidade no balcão, elimina erros de dispensação e pode ampliar o faturamento ao multiplicar o número médio de clientes atendidos em até quatro vezes.
“Imagine o impacto disso na nova realidade de 40 horas semanais. Se o seu colaborador agora trabalha menos horas, mas, com o auxílio da automação, ele consegue produzir quatro vezes mais do que produzia na jornada antiga, o seu custo por unidade vendida despenca e sua margem de lucro sobe. A automação absorve as tarefas de baixo valor agregado, permitindo que sua equipe foque no que realmente traz dinheiro: a venda consultiva e o relacionamento com o cliente”, argumenta.
Ainda segundo o executivo, um dos maiores “gols contra” em farmácias sem tecnologia é a perda de estoque e a falta de controle sobre o inventário de medicamentos. Muitos gestores temem, no entanto, que a automação afaste o cliente, mas, segundo a experiência do Especialista do Panorama, o que ocorre é justamente o oposto.
Ao não precisar se deslocar até os fundos da loja, o atendente ganha tempo para explicar a posologia, sugerir produtos complementares e exercer a farmácia clínica. “Na Europa, a automação é o padrão, não a exceção. Lá, a jornada de trabalho reduzida já é uma realidade há anos e o setor farmacêutico continua sendo um dos mais lucrativos e eficientes”, conclui o executivo.