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Risco de fase 3 barrar vacina é mínimo

Ao justificar a demora e a resistência para fechar a compra da CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco disse, em depoimento à CPI da Covid, que havia um receio de que vacinas ainda sem a fase 3 de estudos clínicos formassem um “cemitério de vacinas”. A expressão gerou debate entre os senadores, que rebateram ao afirmar que o governo federal deveria ter se preocupado com os brasileiros que morreram e viriam a morrer. Especialistas ouvidos pelo Correio explicam que alguns imunizantes podem, realmente, ser descartados após esta etapa, mas, no caso dos imunizantes contra a covid-19, acreditam que tal risco era pequeno.

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Segundo Franco, “a fase 3 de estudos clínicos de desenvolvimento de vacinas também é considerada o cemitério de vacinas. Isso cabe para destacar que o desenvolvimento da vacina gera muitas incertezas. Então, esse é um aspecto que permeou a negociação com todas as vacinas”, explicou Franco para justificar a resistência na compra da CoronaVac.

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Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os testes dessa etapa são aqueles nos quais um fármaco é testado em grandes populações para avaliar sua segurança e eficácia. “A vacina precisa provar que, de fato, é capaz de nos proteger da doença”, explicou, em nota. O fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina Neto, salientou que o que Franco disse é verdade, mas deve ser analisado com cautela.

“Fase 3 é uma fase pré-registro e é uma fase onde pode, sim, se descartar uma vacina. Existem algumas vacinas que foram descartadas na fase 3, mas elas certamente não tiveram um bom resultado na fase 1 e 2, que nós vimos as vacinas contra a covid-19 ter. Havia um risco? Havia, mas esse risco era pequeno”, salientou.

Etapas anterioresO médico virologista e professor titular de virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Amilcar Tanuri aponta que o risco de “perder” um imunizante é muito maior durante a fase pré-clínica e as estapas 1 e 2, quando os testes em humanos começam a ser feitos. “Muitas vacinas se perdem, na verdade, entre pré-clínica e as fases 1 e 2, que é quando avaliamos se tem toxicidade e imunogenicidade”, observou.

A epidemiologista Ethel Maciel, pós-doutora pela Universidade Johns Hopkins e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), rebate Franco ao afirmar que o Ministério da Saúde assinou o contrato para aquisição da vacina da AstraZeneca, ainda em setembro de 2020, sem ter em mãos os primeiros resultados da fase 3. “Se isso (que Franco disse) fosse verdade, eles não teriam fechado com a AstraZeneca. Na época, a gente não tinha nenhuma experiência com esse tipo de vacina e não se sabia o que ia acontecer”, explicou.

O mesmo argumento foi usado pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), que questionou o motivo pelo qual o governo assinou contrato com a AstraZeneca, quando ainda não havia estudo fase 3, e não com o Butantan. O ex-secretário justificou que, no caso da vacina de Oxford, havia transferência tecnológica. (MEC)

“Existem algumas vacinas que foram descartadas na fase 3, mas elas certamente não tiveram um bom resultado na fase 1 e 2”

Fonte: Correio Braziliense

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