Mesmo após revisar para baixo suas projeções para a Pague Menos, o Banco Safra segue confiante no potencial de valorização da companhia. A instituição manteve a recomendação de compra para as ações da rede farmacêutica, estimando uma alta de 66% nos próximos 12 meses. A informação é do Money Times.
O novo preço-alvo para os papéis foi fixado em R$ 6,50, abaixo dos R$ 10 projetados anteriormente. A revisão reflete os resultados do primeiro trimestre de 2026, uma expectativa de crescimento mais moderado das vendas nas mesmas lojas (SSS) e um cenário macroeconômico mais desafiador, marcado por juros elevados. O banco passou a projetar uma taxa Selic média de 13,5% ao ano em dezembro, acima da estimativa anterior de 12,9%.
Apesar do ajuste, os analistas avaliam que a empresa continua negociando a níveis atrativos. Atualmente, a Pague Menos é negociada a um múltiplo equivalente a oito vezes o lucro estimado para 2026, abaixo das dez vezes consideradas no cálculo do preço-alvo.
Segundo o relatório, a companhia reúne fatores que justificam uma reavaliação positiva por parte do mercado, como a evolução dos indicadores operacionais, a expansão consistente da margem Ebitda nos últimos dois anos e o aumento da liquidez de suas ações.
Crescimento mais moderado, mas rentabilidade preservada
As novas projeções do Safra apontam desaceleração no crescimento das vendas nas mesmas lojas. A estimativa para 2026 caiu de 16% para 11,6%, enquanto a previsão para 2027 foi reduzida de 9,6% para 9%.
Como consequência, as projeções de receita foram ajustadas para baixo em 3% para 2026 e em 2% para 2027. A expectativa para 2028 permaneceu inalterada.
Ainda segundo a reportagem, mesmo com a revisão, a perspectiva para rentabilidade segue praticamente intacta. O banco acredita que a melhora das condições comerciais e o avanço da margem bruta — que cresceu 72 pontos-base no primeiro trimestre de 2026 na comparação anual — devem compensar quase integralmente os efeitos da desaceleração das vendas e do ritmo mais acelerado de expansão da rede.
Com isso, a expectativa é de aumento de 40 pontos-base na margem Ebitda em 2026 frente ao ano anterior.
Já as projeções de lucro líquido foram mantidas para 2026. Para 2027, a estimativa foi reduzida em 8%, refletindo maiores despesas financeiras e um desempenho operacional mais moderado.
Mudanças na jornada de trabalho entram no radar
O relatório também avaliou os possíveis impactos da proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, prevista na PEC que extingue a escala 6×1 e que atualmente tramita no Senado Federal.
Segundo os analistas, a medida pode elevar as despesas de vendas da Pague Menos entre 4,1% e 11%. Parte desse efeito, no entanto, poderia ser compensada por reajustes de preços entre 1,9% e 4,4%.
Em um cenário extremo, sem repasse de custos ou ajustes operacionais, o impacto sobre o lucro líquido poderia variar entre 24% e 57%. Os analistas, porém, classificam essa hipótese como pouco provável.
Mesmo diante dos desafios macroeconômicos e regulatórios, o Safra entende que os avanços operacionais da companhia sustentam uma visão positiva para o desempenho da rede no médio prazo.
