RD Saúde cresce dois dígitos e fecha 2025 com R$ 47,6 bi em receita
Faturamento consolidado do grupo aumentou 13,9% na comparação com 2024
por César Ferro em e atualizado em
A RD Saúde fechou 2025 com receita bruta de R$ 47,6 bilhões, crescimento de 13,9% em relação ao registrado no ano anterior. O resultado foi especialmente impulsionado pelo avanço no faturamento no 4T25.
No último trimestre do ano, o grupo registrou uma receita de R$ 13 bilhões, um avanço de cerca de R$ 897 milhões em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, o crescimento chegou a 19,8%.
O avanço no segundo semestre foi especialmente importante para a varejista, que amargou os primeiros seis meses do ano com resultados abaixo do esperado. “No consolidado de 2025, entregamos um crescimento robusto com margens em linha com o ano anterior, compensando no segundo semestre quase totalmente a pressão do primeiro”, declarou a companhia por meio de sua carta da administração.
O EBITDA ajustado totalizou R$ 3,4 bilhões, com crescimento de 12,8% e margem consolidada de 7,1%. O lucro líquido ajustado foi de R$ 1,3 bilhão, avanço de 4,2% e margem de 2,8%, em linha com o ano anterior. A empresa encerrou o período com fluxo de caixa livre estável em R$ 198 milhões e alavancagem de 1,2x.
Varejo foi o carro-chefe da RD Saúde
O avanço do faturamento da empresa excluindo os resultados da 4Bio, distribuidora especializada em medicamentos especiais vendida ao Grupo Profarma na última terça-feira, dia 3, foi ainda mais expressivo. A vertical responsável pelas bandeiras Raia e Drogasil registrou uma receita consolidada de R$ 44,2 bilhões e de R$ 12,1 bilhões no último trimestre, com avanços respectivos de 15,6% e 22,3% sobre os mesmos períodos anteriores.
O EBITDA ajustado totalizou R$ 936 milhões e a margem consolidada atingiu 7,2%, com ganho de 1 ponto percentual (p.p.), atingindo 7,6% no varejo. O lucro líquido ajustado no período foi de R$ 362 milhões, com margem de 2,8%, 0,6 p.p. acima do normalizado no 4T24.
“Reforçamos o foco no nosso core business. O objetivo foi inequívoco: proteger a proposta de valor no curto prazo, sem comprometer os ativos estratégicos que sustentam a criação de valor de longo prazo”, explica.
Farmácias atenderam quase 52 milhões de pessoas
No ano, as farmácias da RD Saúde atenderam 51,7 milhões de clientes, com frequência média anual de 8,4 vezes, totalizando mais de 440 milhões de transações. Com o movimento, o market share nacional da varejista alcançou 19,5% no 4T25, com aumento de 1,7 p.p. em relação ao ano anterior.
O grupo abriu 330 novas unidades, totalizando 3.547 farmácias em 663 cidades brasileiras. No último trimestre, a venda média mensal das lojas maduras chegou a R$ 1,14 milhão. Durante 2025, 0,9% dos PDVs em maturação foi encerrado por erros de expansão e 0,3% das lojas maduras foi fechado como parte de uma estratégia de realocação de recursos e vendas.
HPC, GLP-1 e digital foram pilares estratégicos
Categoria central na proposta de valor da companhia, a perfumaria voltou a crescer. No início do ano, esses produtos desaceleraram devido ao aumento da concorrência dos marketplaces. Com ações focadas em preços e promoções, além do reforço de parcerias com a indústria, esses itens voltaram a acelerar, registrando avanço de 17,9% no 4T25.
A introdução de novos medicamentos da classe GLP-1 também impulsionou o desempenho da empresa. No quarto trimestre, a categoria atingiu uma participação de duplo dígito nas vendas totais da operação de varejo. A expectativa é que, por já contar com estrutura logística de cadeia fria nos CDs e forte capilaridade junto às classes de renda mais alta, a RD Saúde abocanhe uma fatia ainda maior desse mercado com a chegada de novas terapias em 2026 e com o fim da patente da semaglutida.
Por fim, as vendas digitais atingiram 29,3% de participação e cresceram 78% na comparação com o 4T24. Os aplicativos vinculados ao grupo responderam por 82% das transações pela internet e, somados ao web, totalizaram 82,6 milhões de vendas. “Em escala, se fosse uma rede independente, o canal digital se posicionaria como o quarto maior player do Brasil”, afirma a varejista.
Mercado recebeu bem os resultados
Segundo o portal InfoMoney, as ações da companhia subiram 2,5% após a divulgação dos resultados. O balanço também levou os bancos de investimento a reiterarem as recomendações de compra para a ação.
Para a XP, o mercado de GLP-1 deve permanecer como um “vento favorável” para a empresa nos próximos trimestres. Já sobre a perfumaria, o Bradesco BBI observou que a categoria conseguiu acelerar durante o quarto trimestre, mostrando a competitividade durante a Black Friday.