Pague Menos descarta operar farmácias em supermercados
Para o CFO do grupo, o modelo não apresenta atratividade econômica
por César Ferro em e atualizado em
A possibilidade de avanço das farmácias em supermercados, prevista na Lei 15.357/2026, não deve alterar de forma relevante a dinâmica competitiva do varejo farmacêutico. Essa é a avaliação da Pague Menos, que já rejeitou propostas para adquirir ou operar unidades instaladas em redes do setor alimentar. As informações são da Bloomberg Línea.
Segundo o CFO da companhia, Luiz Novais, o modelo não apresenta atratividade econômica. O faturamento médio dessas operações é considerado insuficiente em relação ao nível de investimento exigido pela regulamentação atual.
A legislação sancionada em março estabelece critérios mais rígidos para o funcionamento desses estabelecimentos, como a obrigatoriedade de espaço físico segregado, caixa exclusivo e presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento. Na prática, isso exige a estruturação de uma drogaria completa dentro do ponto de venda alimentar.
Pague Menos vê jornada comprometida nos supermercados
Na visão da rede, o formato adotado compromete a jornada de compra. O consumidor precisa acessar uma ‘segunda loja’ dentro do supermercado, o que reduz a conveniência – um dos principais argumentos defendidos pelo setor supermercadista ao longo da tramitação do projeto. “Nenhuma grande rede de drogarias assumiu esses ativos até o momento, nem para comprar nem para operar em nome do supermercado”, afirma o executivo.
Apesar de a nova lei ter sido interpretada inicialmente como uma potencial abertura de mercado, a leitura da Pague Menos é que o texto final acabou por manter barreiras relevantes de entrada. Para a companhia, as exigências regulatórias limitam o avanço de novos competidores e preservam a competitividade das redes já estabelecidas.
Convênios devem surgir como alternativa
Especialistas da Peers Consulting +Technology apontam que, diante desse cenário, modelos de parceria – como convênios entre supermercados e redes farmacêuticas – tendem a ser mais viáveis, por reduzirem riscos regulatórios e a necessidade de investimentos estruturais elevados.
“Redes de grande porte tendem a verticalizar operações para otimizar dados de CRM, enquanto médios varejistas encontram no convênio a agilidade necessária para não perder a janela de oportunidade”, analisa o diretor executivo da consultoria, Admar Corrêa.
Com isso, a expectativa de uma transformação significativa do canal alimentar como concorrente direto das farmácias perde força no curto prazo, mantendo o protagonismo das grandes redes especializadas.
Custo fixo é alto, mas tempo de permanência é vantagem
Segundo a Peers, o custo fixo da operação deve ser elevado. Um exemplo é o montante necessário para manter um farmacêutico dedicado, entre R$ 12 mil e R$ 18 mil por mês, incluindo encargos. Em contrapartida, a margem bruta em Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), por exemplo, deve ficar entre 30% e 35%.
Por outro lado, quando o assunto é o tempo de permanência em loja, esse pode ser um fator relevante. Para Ariane Bete, diretora comercial da DM, os resultados tendem a ser positivos.
“Ao integrar o setor farmacêutico à operação, o supermercado amplia o tempo de permanência do cliente na loja e aumenta as chances de compras adicionais”, opina.
Apesar das dúvidas, redes se preparam
Mesmo com a desconfiança de agentes do mercado, redes supermercadistas alinham seus movimentos para iniciar ou adequar operações ao varejo farmacêutico. O Assaí planeja inaugurar 25 farmácias-piloto até dezembro de 2026. Já o Cencosud prepara a integração de farmácias nas bandeiras Prezunic e Giga Atacado, enquanto o Grupo Mateus estabeleceu uma joint venture com a Toureiro Farma.