IA reduz em até 40% prazo de desenvolvimento de cosméticos
Plataforma da L’Oréal amplia eficiência em pesquisa e testes
por Gabriel Noronha em
O processo de desenvolvimento de novos fármacos e cosméticos tem sido revolucionado com o avanço da tecnologia, assim como tantas outras atividades nos mais diversos segmentos da economia. A nova IA da L’Oréal, responsável pela gestão de 27 mil terabytes de dados, é um dos principais cases dessa transformação no canal farma. As informações são da Revista Galileu.
De acordo com a companhia, a ferramenta está conectada ao maior acervo informacional sobre cosméticos do mundo, reduzindo o prazo de desenvolvimento de novos produtos da categoria em até 40%.
“Hoje, você pode dizer ao algoritmo o resultado desejado, por exemplo, um produto que elimine o frizz, algo que é uma batalha pessoal minha, e ele sugere diferentes formulações, rotas e abordagens técnicas”, explica Barbara Lavernos, vice-CEO do grupo e responsável pelos departamentos de pesquisa, inovação e tecnologia.
“Algumas já existem; outras são novas combinações que nem nossos melhores especialistas haviam considerado, simplesmente porque nenhum humano consegue lidar com tantos parâmetros ao mesmo tempo”, acrescenta.
IA da L’Oréal considera diversas variáveis
Entre os avanços conquistados graças à inovação, a companhia destaca os modelos capilares virtuais, chamados de “gêmeos digitais de cabelo”, que permitem testar moléculas sem a necessidade de experimentação inicial em laboratório.
“Existem oito tipos de cabelo no mundo, do mais liso ao mais crespo, e o Brasil tem representantes dos oito tipos”, diz Lavernos. “Criamos esses gêmeos digitais internamente, o que é extremamente complexo, porque não se trata apenas de cada tipo, mas também das interações entre eles, que são muito diferentes”.
Outro ponto de atenção durante a concepção de novos produtos é a longevidade. Com o auxílio da IA, a L’Oréal desenvolveu uma nuvem com mais de 250 biomarcadores da pele, antecipando sinais de envelhecimento em nível molecular.
Números comprovam eficiência da tecnologia
A ferramenta também é utilizada na busca por novas moléculas. De acordo com a empresa, em 12 meses foram testadas mais substâncias do que nos cinco anos anteriores.
O clareador de manchas Melasyl, por exemplo, levou 12 anos para chegar ao mercado, enquanto o composto antiqueda Aminexil Regen ficou pronto em aproximadamente sete anos.
Apesar das vantagens oferecidas, a L’Oréal reforça que a IA não substitui os testes humanos.
“A máquina nunca propõe um único cenário, mas vários. Ainda assim, há sempre um humano por trás das decisões”, afirma Lavernos. “E, como trabalhamos com um negócio sensorial, de textura, cheiro e sensação, sempre produzimos os protótipos e testamos com consumidores. Nunca será só a máquina. No fim, a arte da formulação é ampliada pela IA, não substituída”.