CVS inova e inaugura sua “primeira” farmácia
Reconhecida pelo formato de drugstore, rede abre loja exclusiva para artigos farmacêuticos. O que explica esse movimento?
por César Ferro em
Enquanto o varejo farmacêutico brasileiro fala sobre diversificar o mix de produtos e se tornar um verdadeiro hub de conveniência e saúde, o mercado norte-americano faz uma guinada no caminho diretamente oposto. A tradicional CVS Pharmacy revelou ao mercado a abertura de sua “primeira” farmácia.
A afirmação pode causar estranhamento à primeira vista, mas faz todo o sentido. Em seus mais de 60 anos de história, a rede varejista consagrou-se pelo formato de drugstore, trabalhando com áreas de venda amplas e um portfólio vasto de produtos, muito além de medicamentos. O que explica esse movimento? A redação do Panorama Farmacêutico ouviu especialistas para entender a estratégia.
Na próxima segunda-feira, dia 30, o grupo inicia operações da loja sob o conceito pharmacy-only, dedicada exclusivamente à venda de produtos farmacêuticos. A unidade está localizada na cidade de Chicago, no Centro-Oeste dos Estados Unidos.
CVS prevê 20 lojas nesse formato em 2026
Esse PDV marca o início de um plano acelerado de expansão, que prevê 20 unidades com esse formato ainda em 2026. O projeto foi originalmente anunciado há pouco mais de um ano, quando um porta-voz da CVS revelou ao portal Drug Store News que a rede passaria a priorizar lojas com metragens inferiores a 500 m².
O mix da farmácia será limitado quando o assunto for os produtos de venda livre e também passará por uma curadoria para estar alinhado às necessidades da comunidade onde a loja está inserida.
“As novas farmácias serão instaladas em bairros selecionados para ajudar a suprir as lacunas no atendimento e facilitar o acesso dos pacientes a medicamentos, vacinas e outros serviços de saúde”, informou a companhia por meio de nota oficial. Na mesma declaração, também foi observado que a varejista não abandonará o sistema tradicional baseado em lojas mais completas.
Como o mercado brasileiro vê o movimento?
Para Alberto Serrentino, sócio-fundador da Varese Retail, esse é um movimento totalmente aderente ao momento da companhia. A estrutura da empresa, em sua opinião, é composta por diferentes negócios sinérgicos entre si. “O grupo já tem uma capilaridade consolidada com suas megalojas e mesmo as unidades de 500 m² só podem ser consideradas pequenas em relação ao porte com a qual a rede está acostumada a trabalhar”, afirma.
O executivo também teoriza que esse pode ser um movimento para preencher espaços, entendendo qual perfil de loja é mais compatível com uma determinada localidade. Outros especialistas consultados pelo Panorama Farmacêutico compartilham dessa opinião e apontam que a meta passa também por ocupar lacunas deixadas pela Walgreens.
Mercado norte-americano está voltando ao básico
Para Gilson Coelho, consultor e membro do time da seção Os Especialistas do portal, o que está acontecendo nos Estados Unidos não é uma mudança, mas sim um movimento de experimentação. “Ao longo do tempo, a categoria central, o medicamento, passou a conviver com forte pressão sobre as margens, o que levou à expansão das lojas como forma de compensação econômica”, analisa.
Ainda segundo ele, temos agora uma possível inflexão, com estruturas menores, mais enxutas e um retorno ao básico. Nesse contexto, a farmácia menor não representaria uma limitação, mas coerência, reduzindo a complexidade da operação e direcionando o foco para o que sustenta valor.
“Com menor dependência de escala, o modelo passa a exigir maior eficiência na composição do mix e na integração com serviços. A farmácia pode mudar de formato, mas sua essência permanece, e ela sempre encontrou nas estruturas menores uma de suas expressões mais legítimas”, acrescenta.
Convergência de fatores explica o projeto
Cofundador e consultor da Inteligência360, Olegário Araújo elenca uma série de fatores que ajudam a entender o movimento da CVS:
- Lojas personalizadas para gerar identificação com a comunidade
- Unidades menores possibilitam ganho de tempo para o consumidor
- Menor custo de implementação nas metrópoles
- Operação mais enxuta e barata
- Diminuição dos riscos à segurança
“A expansão, por si só, implica na criação de novos formatos. O movimento da rede nada mais é do que buscar um nicho diferente para atingir públicos distintos”, conclui.