Genéricos estimulam queda no lucro da Novartis
Índice despencou 12% no primeiro trimestre e volume de vendas também recuou
por Gabriel Noronha em
O balanço da Novartis referente aos três primeiros meses do ano indica um período de instabilidade nas receitas. Pressionada pela erosão causada pelos genéricos, a companhia registrou queda de 12% no lucro, para US$ 4,9 bilhões (R$ 24,09 bilhões).
O recuo no lucro veio acompanhado de leve retração nas vendas líquidas, que somaram US$ 13,1 bilhões (R$ 64,4 bilhões), 1% abaixo dos US$ 13,2 bilhões (R$ 64,9 bilhões) registrados no primeiro trimestre de 2025. As informações são do portal Dikajob.
O blockbuster Entresto (sacubitril/valsartano), indicado para insuficiência cardíaca, registrou queda de 42% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado, após atingir um pico de US$ 7,8 bilhões (R$ 38,35 bilhões) em 2025.
Outros medicamentos também foram impactados pelo avanço dos genéricos, como o Promacta (eltrombopag), indicado para distúrbios sanguíneos, e o Tasigna (nilotinibe), voltado ao tratamento de câncer hematológico.
Os resultados foram divulgados durante uma teleconferência com investidores, na qual Mukul Mehta, diretor financeiro da Novartis, comentou o momento da companhia: “O primeiro trimestre reflete um comparativo desafiador, após a entrada de genéricos nos Estados Unidos”, afirmou.
Novartis aposta em inovação para retomar crescimento
Apesar dos resultados adversos, o CEO Vas Narasimhan demonstrou otimismo ao destacar catalisadores que podem impulsionar as receitas e sustentar a retomada do crescimento.
“Estamos cada vez mais confiantes nas oportunidades em desenvolvimento para tratar diferentes formas de DMD, além de aplicar a tecnologia de conjugados de oligonucleotídeos de anticorpos ao nosso pipeline. Acreditamos que foi a decisão correta, e os resultados desde a aquisição reforçam essa estratégia”, afirma Narasimhan.
Buscando renovar seu pipeline para minimizar os prejuízos causados pelo abismo das patentes, a farmacêutica intensificou significativamente seus investimentos desde 2024, quando adquiriu a especialista em RNA Avidity Biosciences por US$ 12 bilhões (R$ 59 bilhões) e adicionou três medicamentos em estágio avançado para doenças neuromusculares ao seu portfólio.
Mais recentemente, em março de 2026, a companhia firmou acordo para adquirir a desenvolvedora de terapias oncológicas Synnovation Therapeutics por até US$ 3 bilhões (R$ 14,75 bilhões). No mesmo período, também anunciou a compra da especialista em alergias Excellergy por até US$ 2 bilhões (R$ 9,83 bilhões).