RD Saúde implementa escala 5×2 apesar de preocupações de conselheiro
Carga horária empregada pela rede é diferente da proposta pelo governo
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A RD Saúde implementou oficialmente a escala de trabalho 5×2 em suas mais de 3.500 lojas. A mudança, que ocorreu de forma gradual, começou no segundo semestre de 2025 com gerentes e farmacêuticos. As informações são da Folha de S. Paulo.
Agora, todos os colaboradores da rede trabalham cinco dias seguidos, com duas folgas. A medida, adotada para reter profissionais qualificados e diminuir a rotatividade de pessoal, foi absorvida pela empresa sem aumento nos custos de operação.
O modelo utilizado pela rede, no entanto, é diferente do que está sendo amplamente discutido no país. Apesar do dia adicional de folga, a varejista manteve a jornada de 44 horas semanais, não adotando as 40 horas propostas.
RD Saúde avalia que proposta do governo elevaria custos
Antônio Carlos Pipponzi, presidente do conselho consultivo do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e conselheiro da RD Saúde, estima que essa redução na carga horária dos funcionários geraria elevação de 10% nos custos operacionais.
O executivo ainda afirma que a adoção ampla da escala 5×2 no varejo provocaria aumento de custos entre 15% e 20%.
“Para posições como farmacêuticos e gerentes, a escala de 5×2 se adapta muito bem, se adapta melhor. E a gente está trabalhando com essa escala. É uma tendência, uma evolução de mercado. Mas, para trabalhar [com 5×2] em toda a linha abaixo das lideranças, o custo vai ser inflação na veia”, alerta.
Uma das alternativas avaliadas pela rede para mitigar custos caso a nova jornada imposta por lei seja de 40 horas semanais é a diminuição do horário de funcionamento de algumas unidades. “A redução no horário de algumas lojas é indiscutível. Não dá para arcar com aumento de custo de 15% a 20% [sem repassar preços]”, acrescenta Pipponzi.
O conselheiro defende que a adoção da escala deveria ser facultativa, criticando a intervenção governamental na pauta. “Isso é um fator de competitividade. Se você deixa sem lei, enquanto a empresa começa a dar a escala 5×2, ela vai estar com os melhores funcionários. O governo deveria intervir menos e deixar o mercado funcionar”, afirma.
“A gente deveria ter, sim, uma implementação gradativa da 5×2 de acordo com o mercado, mas não por imposição”, diz. Eu não acredito que haja tamanha irresponsabilidade de fazer as duas coisas ao mesmo tempo; é uma bomba-relógio. Da forma como está sendo feita, é uma medida eleitoreira”, acrescenta.
Já Sérgio Mena Barreto, presidente da Abrafarma, avalia que as farmácias precisarão ampliar seu quadro de funcionários em 10% para suprir o impacto da mudança. “Se não acontecer nenhuma compensação, deve pesar sobre os custos e, consequentemente, sobre os preços”, explica.