Adfar nasce em formato inédito com foco no desenvolvimento de farmácias
por Márcia Arbache em e atualizado em
Presente em seis estados e com abrangência nacional, a Associação de Desenvolvimento de Farmácias (Adfar) estreou em grande estilo, na última terça-feira, 26 de maio, em uma sala de cinema do UCI New York City Center, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
O evento contou com a participação de mais de 250 profissionais, entre representantes da indústria, varejo farmacêutico, distribuição e associados. A Adfar surge com a proposta de fortalecer o varejo farmacêutico independente por meio de uma gestão mais profissionalizada e da oferta de benefícios. A iniciativa é liderada por Jay dos Santos Filho, presidente e fundador da Adfar, que falou com exclusividade ao Panorama Farmacêutico.
Segundo o executivo, a associação foi criada para preencher uma lacuna no mercado nacional. “A Adfar é um marco no mercado farmacêutico nacional. Somos a primeira associação voltada para o desenvolvimento de farmácias criada no Rio de Janeiro”, afirma.
Lançamento uniu inovação, desenvolvimento e entretenimento
Mais do que apresentar a Adfar e suas propostas para o desenvolvimento do varejo nacional, a entidade promoveu, de forma inédita no setor, uma noite de entretenimento, networking e conteúdo em um ambiente inspirado no universo cinematográfico. Para tornar a experiência ainda mais imersiva, os convidados foram recebidos com pipoca, refrigerante e todo clima de cinema transformando a cerimônia em um verdadeiro evento conduzido pelo mágico e mestre de cerimônias Rafael Bogomoltz.

Grupo já projeta mais de mil associados até o fim do ano
De acordo com Santos Filho, a entidade já reúne mais de 300 lojas e pretende alcançar entre mil e 1,2 mil associados até o fim deste ano. A expansão, segundo ele, está baseada em um modelo de apoio voltado especialmente às farmácias independentes e médias redes.
Além do Rio de Janeiro, a entidade acompanha cases bem-sucedidos em estados como Espírito Santo, São Paulo e Santa Catarina. A expectativa é que o modelo implantado pela associação represente um divisor de águas para o varejo farmacêutico brasileiro, oferecendo suporte estratégico e condições mais competitivas aos empresários do setor.

Baseado nos pilares leveza, profundidade e funcionalidade, Nilson Tinoco, vice-presidente e cofundador da entidade, traçou os objetivos da nova associação. “Em 2025, o Brasil registrou saldo negativo no número de farmácias, com mais de 9 mil unidades fechadas no país, das quais 97% eram independentes. Esse dado reforça a importância da Adfar, já que a sobrevivência das empresas do setor depende menos de descontos comerciais e mais da capacidade de gestão estratégica dos negócios”, reforça.
O executivo também apresentou a plataforma B2Farma, voltada à profissionalização da gestão. Tinoco reforçou que a Adfar atua como uma estrutura voltada ao desenvolvimento empresarial, com expertise em inteligência de mercado, precificação, análise de mix de produtos, geolocalização, consultorias jurídica e contábil, além de ferramentas de tecnologia.
Segundo ele, muitas farmácias ainda cometem erros graves de precificação e chegam a vender produtos com margem negativa. “Não adianta comprar melhor e continuar vendendo errado”, afirmou. Ele enfatizou a importância do associativismo e ressaltou a parceria com entidades como a Ascoferj e Febrafar, além do apoio de distribuidores, indústrias e empresas de tecnologia.
Ascoferj destaca gestão e associativismo como ferramentas
Para Luiz Marins, presidente da Ascoferj, a parceria com a Adfar ocorre de forma natural, já que ambas atuam no fortalecimento do comércio farmacêutico nacional. O dirigente observou que o foco atual das entidades associativistas vai além da busca por melhores condições comerciais.
Com cinco décadas de atuação no varejo farmacêutico, Marins avalia que o mercado enfrenta atualmente desafios mais complexos. Entre os pontos citados por ele estão as possíveis mudanças relacionadas à escala de trabalho 6×1, o aumento dos custos operacionais e questões ligadas à comercialização de medicamentos em supermercados e marketplaces. ‘’Esse cenário exige ainda mais preparo administrativo das empresas’’, conclui.
Modelos de operação de lojas independentes no Rio demandam mudanças
Fabio Alguim, diretor sênior de Relacionamento com Parceiros Estratégicos e Serviços ao Cliente, da IQVIA, prestigiou o lançamento da Adfar contribuindo com dados do varejo farma brasileiro, que movimentou R$ 252 bilhões nos últimos 12 meses, encerrados em março de 2026. Parte dessa força, diz, vem da ampla capilaridade das farmácias no país. ‘’Hoje existe uma farmácia para cada 2.200 habitantes, índice superior ao da rede pública de saúde, que possui uma UBS para cerca de 4.800 habitantes.
No Estado do Rio de Janeiro, o mercado farmacêutico alcançou R$ 25 bilhões em faturamento, com crescimento de 9,5%, no mesmo período citado. Apesar do avanço, o cenário, segundo Alguim, mostra diferenças importantes entre os modelos de operação.
Ele observa que o associativismo e grandes redes continuam ganhando participação, atualmente com cerca de 85% a 90% do mix alinhado ao perfil de consumo da região. Na contramão, farmácias independentes operam com até 40% do portfólio incompatível. ‘’Isso resulta em excesso de estoque, capital parado e perda de margem. É preciso ter produto certo, estoque ajustado e precificação adequada’’, resume.
Velocidade para acompanhar mudanças comportamentais
Pedro Fittipaldi diretor de Comunicação e Operações da Febrafar, também parceira da Adfar, destacou que o futuro do varejo farmacêutico depende cada vez mais da capacidade de adaptação e uso de tecnologia para compreender o novo comportamento do consumidor. ‘’O foco do associativismo deixou de ser apenas melhores condições comerciais. Comprar melhor continua sendo importante, mas não é o único pilar. O fundamental está na gestão’’, declarou.
O dirigente ressaltou que o comportamento do consumidor mudou rapidamente nos últimos anos, impulsionado principalmente pela transformação digital e pelo uso massivo de smartphones. ‘’As atuais exigências são conveniência, agilidade e atendimento personalizado. O nome do jogo hoje é conhecer o cliente”, destacou.
O executivo afirmou que o varejo farmacêutico não pode mais depender exclusivamente da disputa por preço. Fittipaldi deu ênfase à importância da inovação e à chamada “ambidestria” nos negócios – capacidade de manter o modelo tradicional funcionando enquanto se incorporam novas tecnologias e tendências ao negócio.