A expiração das patentes da liraglutida e da semaglutida está redesenhando o mercado brasileiro de medicamentos metabólicos. Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac) estima que a indústria farmacêutica brasileira poderá conquistar entre 40% e 50% das unidades comercializadas dessas moléculas nos próximos três anos.
Em 2025, os medicamentos à base de liraglutida e semaglutida movimentaram R$ 5,7 bilhões no país. A expectativa da entidade é que o volume de vendas cresça até 50% no período, impulsionado pela entrada de novos fabricantes e pela ampliação do acesso da população aos tratamentos.
Concorrência deve ampliar acesso
Para a Alanac, a chegada de versões nacionais tende a estimular a competição e reduzir preços, favorecendo a expansão do mercado. Em entrevista ao Valor, Henrique Tada, presidente-executivo da entidade, destacou que movimentos semelhantes já ocorreram em outras categorias terapêuticas após o vencimento de patentes.
A patente da liraglutida expirou em 2024, enquanto a proteção da semaglutida chegou ao fim em março deste ano. Com isso, abriu-se espaço para que laboratórios brasileiros passassem a desenvolver e comercializar suas próprias versões dos medicamentos.
EMS lidera movimento
Até o momento, a EMS é a única farmacêutica nacional autorizada a comercializar versões próprias tanto de liraglutida quanto de semaglutida. Os resultados já são visíveis no segmento da liraglutida.
Dados da Alanac indicam que as versões nacionais responderam por 64,5% das unidades vendidas até abril deste ano, superando as apresentações de referência. O principal diferencial está no preço, já que os produtos brasileiros custam, em média, 36% menos que os medicamentos originais.
Segundo Marcos Sanchez, vice-presidente da EMS, o desempenho demonstra a receptividade do mercado às alternativas desenvolvidas pela indústria nacional.
Disputa pela semaglutida ganha força
No caso da semaglutida, o cenário ainda é mais concentrado. Até abril, as vendas eram dominadas pela Novo Nordisk e pelas versões distribuídas pela Eurofarma por meio de uma parceria comercial firmada entre as empresas.
A entrada da Ozivy, marca da EMS para o tratamento do diabetes, marcou o início de uma nova fase competitiva. A expectativa é que outros laboratórios reforcem a disputa nos próximos meses, à medida que obtenham aprovações regulatórias junto à Anvisa.
O avanço da EMS também motivou uma reação da Novo Nordisk. Conforme publicado pelo Panorama Farmacêutico, a farmacêutica dinamarquesa acionou a Justiça alegando que a marca Ozivy apresenta elementos que poderiam gerar confusão com seus produtos Ozempic e Wegovy. A EMS, por sua vez, afirma que o nome foi aprovado após cumprir todos os requisitos regulatórios.
Mais empresas se preparam para entrar no segmento
Outras fabricantes nacionais já trabalham para ingressar no mercado de GLP-1. O Cristália informou que possui um pedido de registro de medicamento com semaglutida em análise pela Anvisa e considera realista a projeção de que as empresas brasileiras alcancem até metade desse mercado.
A Cimed também mantém planos para lançar sua versão da molécula em 2027, enquanto a Prati-Donaduzzi finaliza etapas técnicas e regulatórias antes de protocolar seu pedido de registro.
Mercado segue em expansão
Para Eurofarma e Novo Nordisk, a chegada de novos concorrentes é um movimento natural diante do potencial de crescimento da categoria. As empresas destacam, contudo, que o mercado de medicamentos para obesidade ainda apresenta oportunidades significativas de expansão.
Enquanto a competição se intensifica, o segmento de canetas emagrecedoras consolida-se como uma das principais frentes de crescimento da indústria farmacêutica brasileira, combinando inovação, ampliação do acesso e uma disputa cada vez mais acirrada entre multinacionais e fabricantes nacionais.
