Como farmácias compactas podem faturar mais sem inchar o estoque?
Melhor gestão do layout e das categorias, bem como ações de relacionamento, podem transformar rentabilidade das lojas menores
por Gabriel Noronha em
Há um mito recorrente no varejo farmacêutico de que as lojas independentes e compactas precisam de um mix infinito de produtos para competir em condições de igualdade com as grandes redes.
No entanto, o modelo norte-americano, que pode chegar a 25 mil SKUs por loja, inclusive em categorias fora da essência da saúde, já mostra sinais de esgotamento e pressiona os custos operacionais. Diante desse cenário, até grandes redes começam a repensar seus formatos.
Para o especialista em gestão Gilson Coelho, o caminho não está em replicar o volume das grandes redes, mas em investir na inteligência do sortimento e na experiência do consumidor. Assim, o tamanho da loja pode se transformar em vantagem competitiva, desde que apoiado em estratégias bem definidas.
Venda relacional no lugar da transacional
No Brasil, 87% das compras em farmácias ocorrem com o auxílio direto de um balconista ou farmacêutico, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Educação Continuada (IFEPEC/Febrafar).
O dado indica que o consumidor busca orientação profissional. “Nesse contexto, enquanto a venda transacional se limita à entrega do medicamento e ao direcionamento ao caixa, a abordagem relacional se baseia na escuta ativa e na observação clínica”, comenta.
Ao identificar sinais paralelos durante o atendimento, o profissional pode orientar a compra de itens complementares e ampliar a cesta do cliente. O especialista ressalta que esse processo deve ser conduzido de forma ética e consultiva, evitando a “empurroterapia”, prática que compromete a fidelização. Quando bem executada, a interação qualificada reduz significativamente a dependência de um sortimento amplo.
Layout como indutor da jornada de compra
Em PDVs compactos, o layout impacta diretamente as vendas por impulso e o tíquete médio. Um erro recorrente é posicionar o caixa no mesmo balcão de dispensação de medicamentos.
Ao concluir o pagamento logo após solicitar o medicamento, o cliente encerra precocemente sua jornada e deixa de explorar categorias como perfumaria e higiene. O ideal é distanciar o caixa do balcão de dispensação, induzindo o consumidor a percorrer o centro da loja e visualizar as ofertas antes de sair.
O equilíbrio financeiro das categorias
A gestão deve equilibrar os “geradores de tráfego”, produtos promocionais com alto CMV e baixa margem, com os “geradores de lucro”, que apresentam menor giro, mas sustentam a rentabilidade. Promover grande parte do sortimento de forma indiscriminada para atrair movimento é um erro que compromete a saúde financeira do negócio.
Por fim, Coelho destaca que o varejo compacto deve proteger sua “categoria destino” – os medicamentos. “Embora rupturas na perfumaria prejudiquem a imagem, a falta de remédios é um erro crítico, pois afasta o paciente em um momento de vulnerabilidade”, adverte.
Ao garantir a disponibilidade do essencial e humanizar o atendimento, a farmácia consolida seu papel como ponto central de cuidado na comunidade.