Quais dicas o Web Summit traz para a sua farmácia?
Coordenadora de marketing da Procfit compartilha o que viu no evento e as principais tendências para o setor
por César Ferro em
Entre os dias 8 e 11 de junho ocorreu o Web Summit Rio 2026. A conferência, que também conta com edições em Lisboa (Portugal), Doha (Qatar) e Vancouver (Canadá), além do encontro RISE na Ásia, reuniu mais de 40 mil participantes na capital fluminense, incluindo 688 investidores e mais de 1,5 mil startups.
Considerado um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, o congresso funciona como um termômetro das inovações para o próximo ano. A coordenadora de marketing da Procfit, Marina Freitas, acompanhou de perto os conteúdos e compartilha com a audiência do Orientação Empresarial pontos de atenção para o varejo farmacêutico.
Os principais insights do Web Summit
A IA como ferramenta operacional
Segundo a executiva, uma das principais discussões do Web Summit teve a inteligência artificial como protagonista. O encontro propôs que ela fosse encarada como executora, e não como estrategista.
“A tecnologia deve atuar mais como um braço operacional da farmácia, encontrando padrões e realizando aquele trabalho necessário para ganhar escala”, argumenta. O motivo para essa abordagem é simples: a IA apenas processa dados preexistentes. Ou seja, analisa somente aquilo que já foi alimentado em sua base e não cria soluções originais, limitando-se a replicar padrões.
Presença digital deve ser ainda mais estratégica
Outro impacto do avanço tecnológico e da inteligência artificial foi o “achatamento” do funil de compra do consumidor. De acordo com a especialista, como reagir a esse novo cenário também foi um tema recorrente nas discussões.
“As farmácias que mantêm blogs ou plataformas de e-commerce precisam adaptar sua estratégia de ranqueamento. Não basta mais aparecer entre os primeiros resultados nos mecanismos de busca; é preciso ser citado nas respostas geradas pelos chats de IA”, indica.
Para contornar esses desafios, a resposta está na base
A conferência trouxe uma ênfase prática ao varejo farmacêutico: é necessário gerar experiências e memórias positivas na jornada do cliente a cada compra. “A estratégia é fomentar uma conexão com a comunidade local, algo natural para as farmácias e essencial para aumentar o engajamento do consumidor”, explica.
Esse ponto vai ao encontro de outra tendência levantada: os limites da IA. O Web Summit destacou que existem fricções na jornada que só podem ser resolvidas com interação humana. Como um ambiente de saúde, as drogarias dependem de percepção e acolhimento interpessoal – algo que nenhuma máquina é capaz de replicar.
“O atendimento consultivo, apoiado pelo suporte tecnológico, é imprescindível neste momento de transformação do setor. A inovação não vem para romper com as boas práticas, mas para fortalecê-las. No fim das contas, o gestor deve fazer o básico bem feito – o arroz com feijão – e usar a tecnologia como um ‘tempero’ adicional na operação”, conclui Marina.