MIPs crescem abaixo da média histórica nos últimos 12 meses
Com um movimento de R$ 34,6 bilhões no período, categoria avançou 7,3%
por César Ferro em
Os medicamentos isentos de prescrição (MIPs) cresceram abaixo da média histórica nos últimos 12 meses até maio (MAT Mai/26). É o que aponta o Getting the Strategy 2026, estudo organizado pela Close-Up International.
Segundo a pesquisa, a categoria registrou um faturamento de R$ 34,6 bilhões, crescimento de 7,3% no período.
Em entrevista ao Panorama Farmacêutico, Fernanda Rebelo, analista Sênior de Market Insights da Close-UP International comenta que o resultado é sólido, mas já sinaliza uma leve desaceleração frente à média histórica da categoria.
Dor e febre lideram entre os MIPs
Entre as subcategorias de MIPs, aqueles destinados ao combate da dor e da febre lideram com a maior fatia da receita: R$ 10,1 bi. Outras subcategorias correlatas, como tosse, gripes e resfriados e alergia, também figuram entre as mais vendidas.
Faturamento das subcategorias de MIPs em bilhões de reais no MAT Mai/26

Apesar de concentrar cerca de 29% do faturamento da categoria, os medicamentos para dor e febre são apenas os terceiros em quantidade de SKUs (1.392), atrás de cuidados digestivos (2.106) e tosse, gripes e resfriados (2.098). Quando o assunto é o crescimento, os Outros se destacam, com avanço de 16,2%, seguidos por alergia (10,3%) e cuidados digestivos (9,3%).
“Apesar de dor e febre chamarem a atenção, é Cuidados Digestivos que cresce 9,3% e já se aproxima de Tosse, Gripes e Resfriados em representatividade”, comenta Fernanda. Ela ainda diz que é justamente essa categoria mais sensível ao clima, que merece atenção redobrada em 2026.
Cenário futuro é de incerteza
Se o crescimento ficou abaixo da média histórica no MAT Mai/26, os próximos meses são de incerteza. Como destacou Fernanda, o varejo farmacêutico tende a ser impactado pelo super El Niño previsto para o segundo semestre deste ano.
Com um inverno mais quente, a tendência é que os produtos que costumam ter alta demanda no período – como aqueles usados no combate à gripe e no alívio dos sintomas – sejam menos procurados, enquanto outros itens, como soluções para reidratação, inaladores e colírios lubrificantes podem registrar um pico de demanda para o qual nem todas as farmácias estarão preparadas.
“Eventos climáticos extremos alteram o comportamento epidemiológico das regiões e tornam o planejamento baseado em histórico menos confiável. Por isso, os gestores não podem confiar cegamente nas Curvas ABC”, aconselha Fernando Ferreira, consultor e fundador da Retail Jedi.
O consultor aconselha os gestores a acompanharem boletins epidemiológicos para reduzir a exposição ao risco. “O El Niño não é apenas um fenômeno climático. Para o varejo farmacêutico, também é um fenômeno econômico, logístico e sanitário”, destaca.