Venda de Ozempic no Mercado Livre prejudica ações das farmácias
Movimento acende alerta sobre canais digitais, mas analistas veem reação exagerada
por Gabriel Noronha em e atualizado em
Os papéis de redes farmacêuticas listadas na bolsa de valores recuaram após a repercussão da entrada da Novo Nordisk no Mercado Livre do México para venda de medicamentos da classe GLP-1. RD Saúde e Pague Menos registraram queda superior a 2% nesta terça-feira, dia 30, refletindo preocupações sobre a expansão de canais digitais no setor. As informações são da InfoMoney.
A farmacêutica dinamarquesa passou a operar uma loja oficial dentro da plataforma de e-commerce no país, utilizando a estrutura logística e de pagamentos do Mercado Livre para comercializar suas canetas emagrecedoras.
A iniciativa transformou o marketplace em um canal formal de distribuição de medicamentos para diabetes e obesidade no México, levantando temores entre investidores sobre um possível avanço semelhante no Brasil.
Entrada do Ozempic no Mercado Livre brasileiro é mais complicada
Na avaliação do JPMorgan, no entanto, a reação do mercado foi desproporcional. O banco destaca que o ambiente regulatório brasileiro impõe restrições relevantes à venda remota de medicamentos, o que limita a replicação do modelo observado no mercado mexicano.
Segundo os analistas, a regulamentação da Anvisaexige que a comercialização online seja feita exclusivamente por farmácias e drogarias licenciadas, com estoques mantidos em estabelecimentos autorizados e supervisão integral de farmacêuticos.
No caso dos medicamentos da classe GLP-1, as exigências são ainda mais rígidas. Desde 2025, produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro passaram a exigir retenção de receita, além de registro em sistemas de controle, o que aumenta a complexidade operacional e dificulta a atuação via marketplace.
O banco também avalia que a estratégia do Mercado Livre no Brasil, por meio da operação MELI Farma, está concentrada em categorias de menor complexidade regulatória, como medicamentos isentos de prescrição e produtos de saúde e bem-estar.
Nesse contexto, a aquisição de uma farmácia física em São Paulo, noticiada pelo Panorama Farmacêutico ainda no ano passado, é vista como um movimento de teste operacional, e não como base para uma expansão imediata em larga escala no segmento de medicamentos controlados.
Banco acredita em recuperação das ações
Para o JPMorgan, o cenário atual abre oportunidade de compra. A instituição recomenda atenção especial a RD Saúde, cujos papéis são negociados a múltiplos considerados atrativos, enquanto Pague Menos também aparece com valuation descontado.
A leitura é que, no Brasil, o avanço de plataformas digitais sobre o varejo farmacêutico seguirá condicionado à regulação, mantendo o protagonismo das redes tradicionais no curto prazo.