Corte de preços do Mounjaro acirra disputa entre canetas emagrecedoras
Estratégia da Eli Lilly responde ao avanço de manipulados e genéricos nacionais
por Gabriel Noronha em
A redução de preços do Mounjaro pela farmacêutica Eli Lilly intensificou a competição no mercado brasileiro de canetas emagrecedoras, em um cenário de avanço de alternativas mais baratas e aumento da oferta.
A companhia passou a oferecer descontos por meio de programa de fidelidade, com reduções que superam R$ 2 mil em alguns kits. O pacote inicial, com canetas de 2,5 mg e 5 mg, passou de cerca de R$ 3.350 para R$ 2.250, Já o kit de 7,5 mg começou a ser vendido por R$ 3.998, enquanto a versão de 10 mg recuou para R$ 4.598.
Novas canetas emagrecedoras reconfiguram o mercado
O movimento ocorre em meio à crescente concorrência de versões manipuladas da tirzepatida e à entrada de medicamentos nacionais à base de semaglutida com preços mais baixos. Fabricantes locais têm ampliado presença com terapias posicionadas abaixo de R$ 600 nas doses iniciais.
Dados recentes indicam que, em seis meses, foram importados insumos suficientes para cerca de 25 milhões de doses manipuladas de tirzepatida, ampliando a pressão sobre os produtos de referência.
Embora a legislação permita a manipulação mediante prescrição, especialistas apontam que a produção em larga escala descaracteriza o modelo original e levanta preocupações regulatórias.
Para os pacientes, o ambiente competitivo tende a ampliar o acesso aos tratamentos, impulsionado por maior oferta e políticas agressivas de preço. O segmento cresce rapidamente no Brasil, puxado pela demanda por terapias voltadas ao controle de obesidade e diabetes.
A Anvisa monitora o cenário e avalia medidas para reforçar a fiscalização, especialmente diante da expansão de produtos manipulados. A tendência é de intensificação da disputa entre multinacionais e laboratórios nacionais, com impacto direto na formação de preços e na dinâmica de acesso no mercado farmacêutico brasileiro.
Presença da categoria cresceu no Brasil
O leque de opções de tratamento não é o único indicador da categoria em ascensão. Dados divulgados pela Close-Up International e repercutidos pelo Panorama Farmacêutico revelaram que entre março e abril deste ano, 32,5% dos lares latino-americanos declararam conhecer medicamentos para perda de peso, ante 26,6% em 2025.
No Brasil, entre os domicílios das classes A e B, a penetração dos tratamentos chega a 4,3%, percentual alinhado ao índice registrado entre os consumidores que conhecem a categoria (4%).
“Isso evidencia que o consumo ainda está concentrado entre famílias de maior poder aquisitivo, cenário que tende a mudar com a chegada de opções nacionais ao mercado”, aponta o estudo.
“Não é apenas uma revolução do medicamento, mas uma revolução do consumo. As pessoas não estão usando essas tecnologias apenas para emagrecer. Elas estão mudando a forma como enxergam saúde, bem-estar e qualidade de vida”, afirmou Mariane Morelli, CEO do Grupo Supley, ao comentar a popularização das canetas.